Inflação recorde antecipa a crise do “juro zero”

Não é preciso falar dos efeitos sobre o consumo, porque este cada leitor e leitora sente ao ir ao supermercado.

Também não é preciso falar das ameaças de aumento do preço da energia – tensão no mercado de petróleo e reservatórios baixos no Sul, no Norte e no Sudeste (neste, 20,5% da capacidade, apenas, dois meses depois de iniciado o período chuvoso).

O resultado da inflação de dezembro – 1,15%, superando as piores expectativas – coloca, antecipadamente, em questão o único elemento de estímulo com que conta a economia brasileira: a queda dos juros.

Qualquer resultado para janeiro perto de 0,4% de inflação terá o efeito de igualar a inflação à taxa de juros oficial, a Selic, agora em 4,5% ao ano.

Para os mais pobres – quando é medida pelo INPC – já está igual: 4,48% em 12 meses, com escandalosos 6,64% no grupo Alimentação.

Juro zero em país que está totalmente dependente de capital externo, sem capacidade de investimento próprio, seja pela poupança interna seja pela ação estatal?

Seria adorável se as coisas funcionassem assim e as suas dívidas, com juros neutros ou negativos, não ficassem maiores do que você tomou emprestado ficassem estáticas ou até diminuíssem de valor.

Como seria fantástico se todo o dinheiro que se consegue amealhar – ou atrair de fora – fosse para a produção e, daí, ao consumo crescente.

Não é o caso, evidentemente.

A próxima reunião do Conselho de Política Monetária é em 4 e 5 de fevereiro. Já ninguém, é claro, cogita de nova redução.

Mas começa a haver a impressão de que o movimento da Taxa Selic pode se inverter, para assegurar a rolagem dos títulos brasileiros.

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