Veja escreve que Odebrecht “cita” Temer quando delação diz que ele pediu dinheiro

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Se houvesse uma medalha olímpica para manipulação, o ouro iria para a Veja, com toda a certeza.

Na edição do final de semana, sua fábrica de vazamentos no Ministério Público forneceu-lhe trechos da delação premiada de Marcelo Odebrecht.

Não havia Lula, para infelicidade geral.

Mas havia Temer e a Veja tratou de colocar o dourado na pílula.

Temer pediu-lhe dinheiro, disse Marcelo Odebrecht.

Mas isso virou uma pérola – encomenda para a Letícia Sallorenzo, implacável madrasta do texto ruim.

Narra a Veja que, “em maio de 2014 houve um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República” e que “nele, estavam o próprio vice Michel Temer e o então deputado Eliseu Padilha, atual ministro-chefe da Casa Civil. Do lado da empreiteira, Marcelo Odebrecht”.

Portanto, quem poderia relatar o que se passou ali – além Daquele que Tudo Vê – é Marcelo Odebrecht, já que os outros dois não estão em delação premiada.

Mas a Veja consegue uma acrobacia digna da equipe de ginástica: na chamada da matéria, que reproduzo na imagem, a “Odebrecht menciona Temer, e quem diz não é Marcelo, mas “um anexo”.  Desde quando anexo fala? O anexo registra o que alguém falou e este alguém, pela narrativa, só pode ser o empreiteiro.

E o que é dito? Que “Temer pediu “apoio financeiro” ao empresário”. Está escritinho assim mesmo.

Ontem, na rua, um senhor andrajoso estendia a mão na rua pedinho “apoio financeiro” ou dinheiro. O guri aí na sua casa tá pedindo “apoio financeiro” para ir ao cinema? E você aí, catando algo no bolso, diz que não pode dar-lhe “apoio” porque está sem “suporte financeiro” no momento?

Deixei passar, por tradição manipuladora, a capa: Pedir dinheiro em espécie ao empreiteiro  vale um “Odebrecht cita Temer”; já as supostas promessas de João Santana de dizer o que lhe pediram para  falar e ser libertado, “destroem” Dilma.

Com tudo isso descontado, sobre o fato denunciado: Temer pediu R$ 10 milhões, R$ 6 milhões para seu pupilo Paulo Skaf pagar os patos de sua campanha a governador de São Paulo e outros R$ 4 milhões para Eliseu Padilha, que não era candidato e, portanto, não tinha sequer a campanha eleitoral para “justificar” o “apoio financeiro”. É dinheiro vivo no bolso, mesmo.

Quase num lamento, Veja diz que “a citação (citação, não denúncia ou acusação) a Temer na negociação do Palácio do Jaburu ocorre num momento especialmente delicado e deve ser usada por seus adversários políticos para tumultuar (tumultuar, reparem) o processo de impeachment de Dilma Rousseff”…

E a cereja do bolo do cinismo: “ainda que uma coisa não tenha a ver com a outra”!!!!

Merece ou não merece o ouro?


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