Usar a filha para ‘pegar’ o pai. Os métodos sombrios de Curitiba

Mais um dia, mais um trecho das mensagens obtidas pelo The Intercept, mais um comportamento abjeto dos procuradores da Força Tarefa da Lava Jato: desta vez, uma operação de busca e apreensão e de retenção de passaporte contra uma mulher para “colocar pressão” sobre seu pai, alvo de fato da operação.

Foi, segundo publica o The Intercept, o que se fez contra Nathalie Angerami Priante Schmidt Felippe, filha do acusado Raul Schmidt, cuja extradição a Justiça de Portugal negou aos procuradores da Lava Jato.

O mesmo pedido de medidas de força – negado, da primeira vez, por, nas palavras de Moro, “não há provas muito claras” e era “prematuro de pronto impor-lhe medida de restrição de locomoção pessoal” – foi aceito, ao ser reapresentado, sem alterações, quando o pai de Nathalie precisava novamente ser localizado.

Francamente, mais nenhuma surpresa quando à abjeção dos métodos empregados pelos procuradores e por Moro – a reportagem sugere que ele tinha consciência de que as medidas era uma manobra visando o pai.

Mas é inacreditável que, depois da enésima ação irregular dos procuradores, nenhuma medida tenha sido tomada e eles continuem, como se vê no noticiário, a manobrar com ações policiais para obter apoio político e midiático para seu grupo.

Passou da hora de ser dissolvido o bunker conspiratório e fazer com que os processos sejam conduzidos dentro da normalidade do MP, como todos os demais são. Este foi o erro essencial: no momento em que todos os casos, por razões políticas, foram colocados na mão de um grupo de procuradores comandado por um fundamentalista e na vara de um “iluminado”, nenhuma justiça se pode esperar de lá.

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