Tarifa do leite em pó: o protecionismo não era um “lixo ideológico”

Os jornais noticiam que Jair Bolsonaro desautorizou Paulo Guedes e mandou repor a tarifa antidumping às importações de leite em pó da União Europeia (de 14%) e da Nova Zelândia, (de 3,9%).

É só uma pequena mostra do quanto a “abertura selvagem” do Brasil pode nos trazer de prejuízo.

Em meados da década de 90, com a liberalização das importações, o Brasil, mesmo sendo um dos maiores produtores de leite, era o terceiro maior importador de produtos lácteos, com um déficit, na virada do século de quase meio bilhão de dólares.

A proteção tarifária enfrentou isso e em 2004 o Brasil passou a ter superávits crescente em produtos lácteos.

A produção não é concentrada, abarca boa parta da agricultura familiar e envolve 1,17 milhão de produtores de leite, quase todos eles micro, pequenos e médios.

A pressão assustou Bolsonaro, porque atingiu um setor simpático ao ex-capitão.

Vai demorar até isso ser reposto, porque as regras para o estabelecimento de alíquotas de importação exigem um trâmite burocrático.

E é uma derrota prática dos que defendem o escancaramento do país às importações, que planejavam cortar tarifas indiscriminadamente. Os que, na linguagem do ministro olavista das  Relações Exteriores, Ernesto Araújo, fazem no comércio exterior “sem ideologia” .

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