Substitutivo na Previdência seria derrota do Governo

A entrevista, publicada por Gérson Camarotti no G1,  na qual o presidente da Comissão da Reforma Previdenciária, Deputado Marcelo Ramos, admite a possibilidade de que se elabore no parlamento um projeto substitutivo, alternativo ao do governo, é um duro golpe em Paulo Guedes.

Em primeiro lugar, é evidente que uma proposta formulada pelos deputados será mais branda que a apresentada pelo governo. Não existe condição política para que absurdos como o BPC, o aumento e tempo e idade para a aposentadoria rural, o fim do tempo menor para professores e a capitalização se repitam numa proposta elaborada na Câmara. Igual com as regras de transição leoninas, com pensões abaixo do minimo e com um fator de corte tão pesado e, sobretudo, a falta de regras de transição minimamente aceitáveis, porque não existe transição, para valer, na proposta governista.

É claro que se, uma proposta vai levar a chancela dos deputados, é improvável que tenha sequer a metade das crueldades da que veio do “Posto Ipiranga”.

Além disso, é impossível que este substitutivo esteja pronto para ser apresentado em prazo menor do que um mês e, ainda mais, pelo regimento da Casa, para ele também terá de se abrir prazo para a apresentação de emendas e sua discussão.

Esqueçam, se isso acontecer, qualquer chance de aprovar o projeto antes de agosto ou setembro.

Não acredito que a proposta possa vingar, a não ser que a situação política do país se deteriore ainda mais rápido do que vem fazendo.

Ainda que menor, retirada de direito não é matéria popular entre os deputados.

Por isso mesmo, tem cara de protelação.

E ajuda a fazer o que deve ser a primeira tarefa dos democratas  diante deste governo: impedir que ele consume atos que terão muita dificuldade  em serem descompostos com o estabelecimento da normalidade institucional.

PS. Rodrigo Maia acaba de estender  até o final do mês o prezo para a apresentação de emendas ao projeto do Governo. Se a ideia era ganhar tempo…

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