Reféns da polícia, não. Repetir seus métodos, também não

Hoje, Elio Gaspari escreveu em sua coluna sobre o criminoso empoderamento das polícias militares brasileiras:

Nos últimos 20 anos deram-se pelo menos 12 motins e seis greves de policiais militares. Só na Bahia, cujo Bope matou o miliciano Adriano, as rebeliões foram três, numa das quais foi necessária a intervenção do Exército, como sucedeu também no Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Tocantins e Espírito Santo. Em todos os casos os amotinados foram socorridos por anistias votadas pelas Assembleias Legislativas e pelo Congresso. O último perdão beneficiou os amotinados do Espírito Santo, e o anterior afagou indisciplinados de 19 Estados. Vetado por Dilma Rousseff, durante a Presidência de Michel Temer o Legislativo derrubou o veto e promulgou a anistia. Ninguém deu um pio. Quase sempre, tiveram no deputado Jair Bolsonaro um aliado.

É um bom caminho para tentar entender a loucura que está acontecendo.

Não pode existir insurreição armada, porque isso não é greve, é motim. E motins são inaceitáveis.

Sendo civis, teriam todo o direito de parar. Se querem – e querem – ser militares, que aceitem as limitações de serem uma tropa, não simples trabalhadores.

Não é a hora de se recriminar – embora o mereça – a atitude imprudente e insensata do Senador Cid Gomes, porque nada do que tivesse feito justificaria ele ser alvejado a com uma pistola .40, que lhe perfurou o pulmão.

A sua atitude foi o corolário de uma sequência de absurdos, como o de policiais a paisana circulando por Sobral, de armas em punho, exigindo o fechamento do comércio.

Isso não vai ser interrompido com atos que repitam os métodos truculentos dessa gente que acha que é à força que se resolvem impasses.

Infelizmente, parece que a síndrome do “fazer na marra” espalhou-se dos amotinados para os que têm de manter a calma e a lucidez.

Mas, como temos diariamente o exemplo presidencial de que é na agressão ou no revide que está a razão, não se pode dizer que a epidemia de loucura esteja controlada no país.

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