Radicalização afasta militares do golpe de Bolsonaro

A prisão de um dos provocadores bolsonaristas, o afastamento de um chefe da PM que omitiu-se ante o ataque a rojões ao Supremo e as menções a “generais-melancia” (no jargão da direita os que seriam verdes por fora e vermelhos por dentro) nas faixas usadas por fanáticos de direita diante do QG do Exército, hoje, são sinais de que algo vai mal dentro da articulação golpista.

Jair Bolsonaro e o bolsonarismo entraram num processo de radicalização em que, claramente, produziu um processo de agudização que afastou parte das instituições – inclusive as militares – de uma aventura própria apenas a psicopatas.

Bolsonaro não pratica a subversão apenas da ordem republicana. Trabalha para subverter a hierarquia militar, por cima e por baixo.

Por cima, com a usurpação pelos militares acarrapatados em seu governo de assumirem o comando que não lhes pertence das forças militares, do qual estão formalmente afastados, como ficou claro na entrevista de Luiz Eduardo Ramos, ministro-general da secretaria de Governo e já vinha evidente nas manifestações de Augusto Heleno e Hamilton Mourão.

Por baixo, com a fidelidade que tem na baixa oficialidade e na tropa, cada vez mais mergulhadas em segurança privada e nas milícias para policiais.

A resistência a Bolsonaro no meio militar não é política, menos ainda ideológica – a orientação é geralmente de direita nesta camada – mas é “preservativa”.

Tem uma ordem prática: a de não se colocar sob o “comando” informal os grupos milicianos e e seus interesses, e outra de ordem política.

O apoio incondicional a Jair Bolsonaro baixou a apenas um quarto da população e, ainda pior, a forte rejeição já galgou à metade dos brasileiros e isso só tende a piorar.

O “mito” está virando um “mico” e os militares não comprometidos no grupo que ele formou em torno de si o percebem.