Quem é dono de quem?

Bruno Boghossian, na Folha, analisa o que considera ter sido um erro de Jair Bolsonaro ao ter permitido que, prematuramente, surgisse o “Moro 2022” por conta de seus conflitos com o seu ministro da Justiça.

“Sem calcular, o presidente lançou, na prática, a candidatura do ex-juiz.”, afirma.

Discordo e creio que nada foi feito por Bolsonaro ao acaso ou por engano.

Já faz tempo que vem pondo Sérgio Moro na chuva e, por vezes, debaixo mesmo de temporais.

Pondo e, assim, expondo o ex-Super Homem como um fraco, um acovardado, um incapaz de enfrentamentos com o poder.

Porque o Moro de 2019 não tem poder, ao contrário do Moro 2014/2018 e depende dele.

O Moro de 2019 perdeu, inclusive, o poder de aterrorizar políticos e tribunais superiores, o que lhe valia muito no período anterior.

Sim, o ex-juiz ainda guarda, nas pesquisas, a aura que lhe foi construída durante o período de glória que a imprensa lhe deu, mas isso é pouco ou nada para uma disputa política: não tem mais a chefia da “Lava Jato”, não tem a confiança dos políticos e não teria, como é óbvio, a bandeira da anticorrupção contra Bolsonaro.

Não tem, portanto, como romper a rede em que se aprisionou ao aceitar ser o ministro da Justiça do ex-capitão.

Nem ele, nem os outros que embarcaram na canoa do oportunismo autoritário, como é, por exemplo, João Doria.

Bolsonaro sabe que a disputa em 2022 será cm uma aliança de centro-esquerda, ou de esquerda, se não houver no centro forças com a lucidez de aliarem-se a ela.

Ou, na visão dele, aliarem-se a ele, sem o que não terão candidatura competitiva, no quadro atual.

Por isso, Moro é seu prisioneiro, não seu dissidente.

 

 

 

 

 

 

 

Comentários no Facebook