Quarta-feira, o inferno é o limite

Nos velhos carnavais cariocas, quarta-feira era dia de correr da polícia no bloco Chave de Ouro, que saía apesar da proibição oficial, entre os subúrbios do Méier e do Engenho de Dentro, que acabou virando nome da área próxima à Rua Alfredo Bergamini.

Esta quarta-feira vai ser também de correria, mas não a simples e zombeteira do dos foliões já tresnoitados, mas as dos faria limers endinheirados.

Até os nossos jornalões fizeram uma pausa nas manchetes de carnaval e acordaram para isso.

Depois de uma sexta-feira em que já tinham caído com força, os índices dos mercados acionários, nos quais a nossa Bovespa está pendurada, desabam hoje violentamente, como era previsível, com a escalada do coronavírus fora da China.

A não ser que haja – e é improvável – pelo menos uma redução dos casos de contágio, a tendência é que eles não se recuperem.

Altas fortes no ouro e no dólar serão inevitáveis, mesmo que o Banco Central, como tem feito nos últimos dias, torre moeda norte-americana em leilões, cujos efeitos de baixa têm durado poucas horas.

A Bolsa, rumo que tomou o dinheiro dos investidores de classe média arrancados da renda fixa, pode sofrer uma evasão recorde, não apenas de estrangeiros – que já vinham saindo e, de janeiro para cá já tiraram R$ 37 bilhões da Bovespa – mas dos que não tem como suportar ver virtualmente sumirem 6, 7 ou 8 % de suas economias.

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