Quanto tempo dura?

É, sem dúvida, melhor que Jair Bolsonaro tenha cedido às pressões que de todo lado lhe vêm e moderado o grau de insanidade de seu discurso, ontem à noite.

Recordemos, porém, que o fez por conveniência e não por convicção.

E, portanto, não vai corresponder com atos concretos à gravidade do momento, o que ele segue desprezando como tragédia.

Bolsonaro não está apenas deixando de comandar – como deveria – o enfrentamento, mas também atrapalhando quem tenta, desesperadamente, proteger a população.

Se os senhores generais estão, de fato, preocupados com a irrupção de saques e conflitos sociais, deveriam estar, a esta altura, pressionando o presidente a que mandasse Paulo Guedes operacionalizar esta ajuda miserável que anunciou para ontem.

Na hora da fome, meio quilo de feijão vale mais que dois quilos no “mês que vem”.

Ao contrário, o que aconteceu ontem mostra que o cinismo está forte e presente dentro do núcleo do governo, com a estapafúrdia decisão de limitar aos cadastrados e ao integrantes do Bolsa Família o auxíli0-merrecal e, assim mesmo, pagá-lo apenas no dia 16 quando, aliás, será muitíssimo mais perigoso formar filas para recebê-lo.

E Guedes “descobre”, ainda por cima, que seria necessária a edição de um Emenda Constitucional para isso.

Não é para ser levada a sério, portanto, a aparente “tomada de consciência” do Governo na crise que estamos e vamos enfrentar.

Um valente pode, eventualmente, acovardar-se, mas um covarde jamais de toma da ousadia necessária.

E, creiam, todo aquele que se faz de valentão, como o atual presidente é, antes de tudo, um covarde.

 

 

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