Processo de “Fux Jr.” contra Aroeira é o retrato da estupidez

A queixa apresentada pelo filho de Luiz Fux, Rodrigo, que é diretor jurídico da Federação Israelita do Rio de Janeiro, contra Renato Aroeira, acusando-o de antissemitismo pela charge acima, não pode prosperar e cair nas mãos de promotores e juízes minimamente lúcidos.

Qualquer pessoa que seja capaz de montar um quebra-cabeças de duas peças entende que criticar alguém por comportamento nazifascistas é, ao contrário, uma atitude oposta a preconceitos contra o povo judeu, que perdeu seis milhões de seus filhos nas mãos daquele regime.

Combater os delírios de supremacia racial judaica, tal como combater os de superioridade ariana do nazismo é o inverso de ser antissemita.

Benjamin Netanyahu não pode ser criticado por suas posições belicistas e autoritária por ser israelense? Amós Oz, o grande escritor judeu que partiu há poucos dias era defensor da paz entre Israel e Palestina dizia que “se criticam o que os judeus fazem, pode-se ter razão ou não, mas é algo legítimo”.

“Pegar carona” na idolatria a Israel propagada por grupos evangélicos fundamentalistas, como está acontecendo aqui, é aceitar a ideia de que razões religiosas produzem, de forma automática, razões políticas necessariamente corretas.

Silenciar diante de propostas como a de “fuzilar”, “metralhar” e exilar os que pensam diferente é, isto sim, pactuar com os processos mentais do nazismo.

É estranho que o doutíssimo Fux Jr, quando Jair Bolsonaro disse que o “quilombola de sete arrobas não serve nem como reprodutor”, dentro da instituição da qual é diretor jurídico, não tenha apresentado ‘notícia crime’ contra o então candidato, pois estava diante de uma injúria racial e não, como na charge, de uma crítica político-ideológica.

Seu pai, aliás, foi um dos ministros do STF que rejeitou a denúncia contra ele por estas afirmações.

A tentativa de censura, ao menos por enquanto, não deve prosperar.

Por enquanto, apenas.

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