Previdência: Bolsonaro começa de onde Temer parou

O anúncio, sujeito a modificações, feito pelo governo de que a reforma da Previdência fixará a idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, com uma regra de transição de 12 anos é, até agora, igual ao ponto em que se encontrava, depois de desidratada na Câmara dos Deputados, a proposta enviada por Michel Temer.

Inicialmente com uma idade de 65 anos para ambos os sexos, ela tinha ido parar neste patamar, com uma regra de transição seria de 53 anos para mulheres e de 55 para homens que, no caso da proposta Bolsonaro, ficaria em 12 anos (com início, se linear, aos 50 e 53 anos, portanto). Nada se falou sobre o “pedágio” de 50% do tempo remanescente de contribuição que Temer pedia, o que é, na prática, o tempo a mais que se trabalharia.

É bem menos do que o “mercado” esperava e vai representar quase zero de economia nos primeiros anos.

Restaria tirar, então, nas medidas mais antipáticas: corte de pensões e benefícios, aumento do tempo de contribuição para fazer jus ao benefício integral e, sobretudo, nas regras de aposentadoria vantajosas para militares e policiais, os que mais cedo se aposentam e que ficariam de fora da idade mínima “geral”.

Algo que dificilmente acontecerá.

É significativo que tenha sido Rogério Marinho, secretário previdenciário do Ministério da Fazenda, e não Paulo Guedes quem tenha anunciado a “batida do martelo”.

Se não vier “maldade da braba” na versão definitiva, a ser anunciada na quarta-feira, se mais nenhuma desgraça ou encrenca acontecer – o que anda difícil – a proposta vai desagradar a “gregos e goianos”, como diz o chiste popular.

É que esta versão, até agora, entra magra na sauna do parlamento, onde a tendência é tirar alguma gordura.

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