Presidente escatológico

Tinha escrito, ontem cedo, que Jair Bolsonaro, “mordido”, usava seus arroubos carnavalescos no Twitter como o “que pôde ter como resposta publicável” aos xingamentos que recebeu por toda parte dos blocos carnavalescos.

Não podia imaginar que era tanta a raiva presidencial que ele chegaria ao ponto que chegou: de distribuir um vídeo escatológico como prova de que o carnaval de rua é uma reunião de devassos, imundos e sexualmente promíscuos. E, indiretamente, sugerir que eram estes os que lhe dirigiram impropérios.

Comportamento indecoroso, de dois sujeitos em uma rua qualquer, diante de centenas de olhos durante a folia é caso desagradável que se resolve com delegacia de polícia.

Comportamento indecoroso de um presidente da República, publicando péssima pornografia em redes públicas, perante os olhos de milhões de pessoas, resolve-se como?

Em ambos os casos, o problema é de exposição pública de taras.

No caso dos sujeitos do vídeo, se chocantes, também irrelevantes.

No caso de Bolsonaro, uma tentativa abjeta de um chefe de Estado transferir para seus adversários a chaga de apoiadores da devassidão, usando pornografia.

Temos, além de tudo, um presidente escatológico.

Com tudo o que isso que isso quer dizer sobre o julgamento de suas capacidades mentais e morais para dirigir a vida de 210 milhões de pessoas.

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