Parecia um fuzil. Atirar “na cabecinha”, governador, é crime de hermenêutica?

Circula nas redes, agora cedo, uma abordagem policial que mostra toda a banalidade com que os nossos governantes tratam a ação policial letal, o “mirar na cabecinha” no dizer de Wilson Witzel.

Dois rapazes, numa motocicleta, andam pelas ruas da Vila Vintém, comunidade pobre da Zona Oeste do Rio. Na mão de um deles, um pedestal de microfone.

Num carro de polícia, o PM grava tudo e deixa evidente que consegue observar que não é um fuzil, como poderia parecer.

Para a dupla e lhes dá um “esculacho”:”você não pode sair de favela, de comunidade, com isso aí, de madrugada.”

“Nego diz que morre à toa, olha só o que parece que ele tá na mão”.

Claro que o policial que gravou o vídeo e colocou nas redes fez uma espécie de “defesa prévia” das mortes que ocorrem porque “parece” que pessoas têm fuzis, aqui, onde já se matou por guarda-chuva e furadeira.

Mesmo assim, não se pode crucificá-lo: ao menos foi prudente antes de atirar, o que não ocorre com o governador do Estado.

O PM teve “hermenêutica”, capacidade de interpretar o que via e, apesar da abordagem esdrúxula, não seguiu os ensinamentos de Witzel.

Pois o governador diz que “o soldado não pode ter hermenêutica na cabeça: olhando alguém de fuzil, vai atirar e vai abater“.

Quem sabe, como dizem os adeptos do abuso de autoridade e dos conceitos de Witzel, os dois rapazes estivessem agora cada um com uma bala de fuzil na cabeça e sem qualquer consequência, graças ao artigo 23 do pacote anticrime de Moro, alegando que foi uma surpresa (e não foi, como o vídeo deixa claro” que o que “tava na mão” era um simples pedestal de microfone.

Porque, como disse o PM, pedestal de microfone “não pode” em favelas e comunidades.

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