Para a D. Damares, a Avon é comunista

Eu sou do tempo em que o rádio tocava o som de campainha e a voz dizia, pausadamente: Avon chama…E venda de cosméticos de porta em porta ajudou no orçamento de muitas mulheres que tinham de ajudar a sustentar a casa e, por serem mulheres, não terem lugar no mercado de trabalho formal.

Pois ontem, no discurso de posse a senhora Damares Alves como “Ministra da Família”, revelou-se que a marca de cosméticos é uma das agentes da “doutrinação ideológica de crianças e adolescentes”.

Pois fui descobrir que a a sua fala, num país onde as crianças estão voltando a ter doenças que se considerava extintas, onde voltou a crescer a mortalidade infantil, onde estão tendo uma educação deficiente, onde estão se evadindo das escolas, onde estão virando moças e rapazes sem emprego e sem futuro é que exigimos o direito de dizer que elas são príncipes e princesas, ao contrário do que dizem estes miseráveis comerciantes de pó compacto.

Está no Valor:

Menina será princesa e menino será príncipe. Ninguém vai nos impedir de chamar as meninas de princesa e os meninos de príncipe”, disse. Em seguida, afirmou, em tom de recado: “Acabou a doutrinação ideológica de crianças e adolescentes”.

Não entendi e, como não tinha notícia de comunistas invadindo as lojas do Saara, no Rio, ou da 25 de Março e Santa Ifigênia, em São Paulo, para confiscar as fantasias infantis de Branca de Neve ou de Homem Aranha, bastiões de nossa cultura, fui tentar entender de onde vinha esta conclusão espetacular da ministra.

E descobri que vem de um comercial da Avon, exibido em 2017, chamado “Repense os Elogios”, que provocou furor em parte da comunidade evangélica, ao mostrar que meninas não queriam ser reconhecidas apenas por sua beleza – “princesas” – segundo os padrões dominantes, mas também por suas capacidades, determinação e inteligência.

Que absurdo!

Logo a Avon, um empresa norte-americana, com um século e meio de existência, se prestando ao papel de expandir o comunismo e o “gayzismo” sugerindo que não basta às mulheres serem reconhecidas pelo “bela, recatada e do lar”?

Mas era para desconfiar, não é? Este pessoal da indústria de cosméticos gosta de pigmentos vermelhos, desde a Grécia, quando usavam hena e açafrão, até os pós feitos de pau-brasil retirados daqui. Os mais velhos lembram do nome antigo do atual blush: rouge, vermelho em francês.

Só podia!

O filme que indignou D. Damares vai aí embaixo, com o perdão pela divulgação desta perigosa propaganda de dissolução da família.

Viram como o Ministro das Relações Exteriores é especialíssimo, por vencer o campeonato de asneiras?

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