Os robôs espanhóis de Bolsonaro

Não bastasse o pesadelo Moro-Dallagnol, outro fantasma aparece para assombrar o governo Bolsonaro.

Patricia Campos Mello, da Folha,  que havia descoberto a contratação de empresas brasileiras para disparar, em massa, mensagens eleitorais e fake news pró-Bolsonaro, encontrou o áudio onde o dono de uma empresa espanhola diz a outros possíveis clientes que  alugou cerca de 40 linhas, com capacidade para enviar 20 mil mensagens por hora, para  supostas “empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas” do Brasil.

Luis Novoa, ex-responsável por telemarketing da Telefonica, diz que só descobriu a finalidade quando o Whattsapp começou a cortar suas contas por uso irregular:

“Eles contratavam o software pelo nosso site, fazíamos a instalação e pronto […] Como eram empresas, achamos normal, temos muitas empresas [que fazem marketing comercial por WhatsApp]”, afirma o espanhol, na gravação.
“Mas aí começaram a cortar nossas linhas, fomos olhar e nos demos conta de que todas essas contratações, 80%, 90%, estavam fazendo campanha política”, completa o empresário espanhol.
Uma outra pessoa, nessa mesma gravação, pergunta a ele: “Era campanha para algum partido?” Novoa então responde: “Eram campanhas para Bolsonaro”.

Apesar de o jornal possuir o áudio, Novoa negou que tivesse trabalhado para empresas em campanhas políticas no Brasil, mas se a Justiça quiser poderá descobrir, porque os pagamentos eram feitos via PayPal, uma plataforma que opera com cartões de crédito verificados.

Embora Novoa nege, sua empresa trabalha para pelo menos três partidos políticos espanhóis e os vídeos promocionais disponíveis no site da Enviawhatsapp SL, a sua empresa, este ano rebatizada com o nome fantasia de Wachatbot, que reproduzo ao final do post, deixam claro que a política é uma de suas atividades.

Tem até um plano empresarial para “Grandes Empresas, Partidos Políticos e Clubes Esportivos”, que oferece a criação automárica de grupos, aos quais se podem agregar automaticamente contatos e oferece “campanhas seguras, sem possibilidade de perda do número de whattsapp da empresa”.

Patrícia Campos Mello faz mais, muito mais, que as autoridades brasileiras a quem competia investigar crimes eleitorais. O caso dos envios em massa de pmensagem, que ela revelou ainda no ano passado, arrasta-se no Tibunal Superior Eleitoral.

Veja a propaganda da empresa contratada pelos “empresários” pró-bolsonaro:

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