Os inocentes não tem voz. Mas têm dor.

wolvenar

O delegado Mauricio Moscardi Grillo, um dos que processou e tentou calar Marcelo Auler no caso da Operação Lava Jato, foi comandar a Polícia Federal do Acre.

E é lá na Justiça Federal do Acre que o próprio Auler foi levantar um caso que merece toda a reparação: o dos acusados e presos pela Polícia Federal sob a “convicção” de que teriam fraudado uma licitação para a construção de casas populares. O delegado Moscardi teria dito que “empresários da construção civil e agentes públicos se uniram para o fim de eliminar a concorrência na seleção das empresas que iriam construir 3.348 casas no Projeto Minha Casa Minha Vida”.

17 pessoas foram presas, durante mais de oito meses, e sob liberdade vigiada por mais quase um ano.

O processo, por falta de provas, foi extinto. O juiz federal Jair Facundes, na decisão, dissee que ““a força policial não logrou descobrir nada mais substancial. Fato é que nada de concreto foi obtido, apesar da enorme varredura nos inúmeros procedimentos de licitação envolvendo as empresas ligadas aos acusados que demonstrasse a veracidade do cartel descrito pela acusação”.

Não havia provas. Mas houve e há provação de quem foi exposto nas manchetes de jornal, conduzido à prisão, passou dois anos, quase, como “corrupto” e, agora, tem direito apenas a “notinhas” dizendo que não, não era bem assim.

Por isso, deixo a reportagem muito bem feita por Marcelo Auler para ser lida lá em seu blog e transcrevo o texto- desabafo do arquiteto Wolvenar Camargo Filho, de 62 anos, uma das vítimas desta pantomima, publicado num jornal de Rio Branco, o Página 20.

É um documento de humanidade, que deveria fazer com que nós, profissionais de imprensa e, ainda mais, policiais e promotores agissem com responsabilidade. O que fizeram a este homem foi um crime e, a pretexto de que operadores do Direito não podem ser punidos quando acusam sem mínimas provas, é outro crime que tanta dor permaneça impune.

O que é justiça senão a verdade?

Eu sou Wolvenar Camargo Filho, 62 anos, arquiteto e urbanista, mineiro de Guaxupé, filho do Seu Wolvenar e da Dona Derelis (in memoriam), pai do Caetano, da Liliana e da Gabriela, acreano de coração!!

Comecei minha trajetória profissional aqui no Acre quando tinha 27 anos, como funcionário público e algum tempo depois passei a atuar como profissional liberal e somente em 1993 ingressei na carreira de gestor público, na gestão do prefeito Jorge Viana, como diretor-presidente da Emurb, secretário de Obras do Estado e secretário de Obras do município e novamente secretário de Obras Estado. Esse tempo soma-se 19,4 anos. Nesse período não acumulei bens imóveis, tive uma vida confortável e condições de dar uma boa formação educacional para os meus filhos.

Durante esses quase 20 anos que trabalhei como gestor público, coordenei a execução de construção e reforma de centenas de empreendimentos públicos, da pequena obra à construções milionárias, como é o caso do Parque da Maternidade.

Possuo no meu acervo, como arquiteto e urbanista, projetos que um profissional da minha área pode sonhar: residências, prédios públicos, como: hospitais, praças, pontes, parques, teatro, penitenciárias, escolas, estação de tratamento de água, avenidas, cemitérios e tantos outros. Mas, para quem (como eu) compartilha da ideia de que um arquiteto projeta da chave à cidade, ainda me faltava a oportunidade de construir uma cidade planejada.

Eis que surge a grande oportunidade: O desafio do projeto de um grande bairro, com aspecto de cidade, com todos os equipamentos urbanos necessários para o bem estar dos que lá habitariam e o melhor de tudo, para atender uma população sofrida por viver em regiões insalubres e sem dignidade, que foi denominada como Cidade do Povo.

Mesmo com a saúde já dando sinais de fragilidade, encarei mais esse desafio. Foram meses de estudos, planejamento, negociações até o início da tão sonhada obra!

No dia 10 de maio de 2013, acordei como um cidadão comum, como sempre muito cedo, já que pontualidade é uma conduta minha muito marcante! Cedo a campainha tocou e me deparei com policiais federais à minha porta, numa operação denominada G-7. De pronto, atendi todas as solicitações da diligência até o momento em que recebi voz de prisão. Confesso que naquela hora entrei em pânico, até então por não entender (como até hoje) o que estava acontecendo. Por qual motivo um trabalhador honesto, pai de família seria preso pela polícia, sem ter cometido nenhum delito? A partir daí nunca mais acordei como um cidadão comum! Fui defenestrado, execrado pela mídia local e nacional, motivo de chacotas, falácias, usado em propagandas eleitorais por adversários políticos, charges e musiquinhas absolutamente idiotas, vis e cheias de mentiras.

Passei 40 dias preso em um leito de hospital, mantendo contato apenas com minha família. Lembro como se fosse hoje o dia em que meu pai, de 87 anos, chegou de Guaxupé para me visitar… Aquela indignação e dor que senti quando vi tanta tristeza nos olhos dele, não desejo para ninguém!

O tempo passou. A vida seguiu em frente. A investigação se transformou em denúncia, a denúncia em processo e não nos coube outra alternativa a não ser a defesa dos fatos. Três anos e oito meses após a exposição pública humilhante, foi feita a justiça. Mas, o que é a justiça senão a verdade? Então desde esse dia sou novamente um cidadão comum? uma pessoa honesta? um filho e pai respeitado? um profissional digno? Como nossas vidas podem ser completamente implodidas por profissionais com atitudes precipitadas? Como reparar esse mal cometido? Acredito que as injustiças vão sempre acontecer no mundo afora e mesmo havendo justiça, esta não consegue consertar totalmente as feridas da alma!

Contudo, nas adversidades não perdemos amigos e sim selecionamos. Estiveram nesses tempos difíceis ao meu lado, pessoas que realmente tenho muito amor e respeito, dos quais posso citar: minha família, o governador Tião Viana, que me apoiou de forma corajosa; meu grande amigo, senador Jorge Viana e os meus amigos que tiveram o desprendimento e se dispuseram a testemunhar ao meu favor, me ajudando a provar minha inocência. Esses vou agradecer e abraçar pessoalmente!

E como disse ontem meu filho Caetano, muito emocionado:

– Acabou pai, agora acabou…

Sim filho, acabou!

Eu tive ainda a felicidade de dar essa boa notícia ao avô dele e meu pai, que me disse que esse é seu presente de aniversário de 90 anos no próximo 17 de fevereiro! É por vocês: Pai, Caetano, Liliana e Gabriela, que peço a Deus agora discernimento, resiliência e saúde para enfrentar o que tem por vir e seguir minha vida com a cabeça erguida com a certeza da pessoa correta que sempre fui e sou!

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7 respostas

  1. Esse delegado safado é um dos que fez propaganda para o Aébrio em 2014 e atacou a as imagens do Lula e da Dilma pelo “feicibuki”. Deveria ir para a cadeia, mas aqui nada acontece com esses pilantras…

  2. Três anos para chegar a nada, pelo amor de DEUS. Sabiam que não tinha nada né, mas a maior pena não é a condenação e sim a suspeição, eu no caso desse senhor entraria na justiça pedindo reparação. …..

  3. Mas um pateta fascista já postou. Um ser irracional, canalha e cafajeste. Um zé ninguém intelectual que só fala bobagens e tem a pretensão de achar que ligamos para o que ele diz. Um ser abjeto, repetitivo, incapaz de ter ideias próprias, movido apenas pelo ódio, cujo único conhecimento é oriundo da Globo e Veja. Provavelmente nunca leu um livro em sua vida. É esse tipo de criatura que bate palmas quando nossa Constituição e nossas leis são violentadas, desde que seja contra seu “inimigo comunista”. Notem que ele pretende que comunismo e socialismo sejam a mesma coisa. Um anão moral e intelectual.

  4. Wolvenar Camargo Filho, que você e sua família consigam superar tudo isso.
    Força e muita saúde para você e que você consiga realizar todos os seus sonhos.

  5. Enquanto estes tais “servidores públicos” (PF, MP e Podreciário) não estiverem sendo responsabilizados pelos seus atos, este blog irá publicar “n” cartas similares a esta. Estamos diante de verdadeira barbárie de tais agentes públicos, fazem o que querem, tem como parceira a mídia bandida familiar e nada acontece de responsabilização a eles. Ah, e ganham absurdos, pagos por nós todos. O nosso deficit civilizatório é gigantesco, a ignorância e truculência imperam. Até quando ? Ao Sr. Wolvenar Camargo Filho e família, os meus respeitos e admiração pelo relato. Precisamos ser corajosos em enfrentar estas coisas absurdas. As pessoas precisam retomar um equilíbrio e indignação contra esta “garotada” aí no serviço público. Chega !!

  6. Mas, este não era o procedimento do Ministro Joaquim Caifaz? Ele achava que o cidadão por chefe tinha de saber de tudo que acontecia. Vejam o que sucedeu. Condenou-se tantos se tantos, baseado em que ele por ser chefe tinha que saber. Mas, não era só ele não teve também a mosca Morta que fez das suas.

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