Os governadores tomaram o poder de Bolsonaro

O Brasil é, ainda que bem distorcida, uma federação de Estados.

Quebrados, falidos, pendurados no governo federal e, nos últimos tempos, endividados até a raiz dos cabelos com a União.

O que terá feito, então, os governadores de máquinas assim capengas levantarem-se em bloco – até o reacionaríssimo Ronaldo Caiado diz que rompeu com ele – contra o Presidente da República?

Sim, é óbvio que há preocupação com as medidas emergenciais frente ao novo coronavírus e pressão da sociedade para que se as adote.

Mas eles perceberam – a maioria e o resto vai “no embalo” – que Jair Bolsonaro enfraqueceu-se e, enfraquecer-se, na política, é ser dominado ou defenestrado.

Todos os governadores sabem que a União terá de entregar-lhes verbas e alguns já estão conseguindo que as que deveriam pagar, emprestadas em outros tempos, lhes serão garantidas pelo Judiciário.

Mais delas virão, diante do argumento irretorquível de hospitais em pandemônio e filas de corpos.

Alguns deles, além disso, já contam com a perspectiva de que Bolsonaro, isolado, terá de deixar o governo e seu vice, o general Mourão, não tem densidade política para governar – ainda que provisória e precariamente – sem uma composição com eles.

Já Bolsonaro, a meu ver tolamente, acha que sua atitude fará cair sobre os governadores o desgaste do desemprego em massa. Isso não acontecerá, porque emprego é um tema essencialmente federal, de política econômica, justamente a que nos mais falta.

Ou alguém acha que existe política econômica num governo que baixa uma MP suspendendo salários, revoga-se dizendo que “houve um erro de redação” e, quatro dias depois ainda não conseguiu lançar outra sem o tal “errinho”?

Os governadores se mexem porque sentem que Jair Bolsonaro apodrece na sala.

 

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