Os adoradores do extermínio

Por vezes sinto-me transportado no tempo, por 40 anos , até os anos 80, em que os “Esquadrões da Morte” eram a principal resposta ao crescimento da criminalidade.

Tudo se justificava, tudo se admitia contra os “párias da sociedade” a “gente que não chegava a ser gente”.

Até conduzi-la, como as fotos imortais de Luiz Morier – fui “foca” do pai dele, Max Morier – como uma penca de animais, reencarnando Debret no final do século 20.

Os comentários dos jornais, diante da morte de nove jovens pisoteados em Paraisópolis servem de legenda para estas monstruosidades.

“Nove CPF’s cancelados”, diz um; “Não é nesses bailes funk onde as garotas de 13, 14 e 15 anos vão engravidar trazendo ao mundo futuros marginais?”, fala outro.

Deus meu, me dou conta que a foto de Morier é uma delicadeza perto da montruosidade de faze-los morrer pisoteados.

Estamos pior, há gente que não quer apenas a corda no pescoço dos cativos, mas quer a corda da forca para executá-los.

Não, não acusemos os nossos mentecaptos sociais, acusemos quem os fez ser assim.

Os políticos – cadê você, Moreira Franco? – que fizeram da “segurança pública” uma máquina de mater e humilhar?

Onde estão vocês, editores de jornais e de telejornais, que cansaram de acusar a política de “direitos humanos” – direitos humanos não são política, p…, são uma lei civilizatória – de Brizola a culpada pela criminalidade?

Estes monstros de hoje são seus filhos.

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