Olimpíada adiada: importa ganhar, não competir

Tomou-se hoje, afinal, a decisão – óbvia, faz tempo – de adiar para 2021 a realização da Olimpíada de Tóquio.

Embora todos soubessem que isso ia acontecer, serve para provar como o dinheiro e os interesses comerciais desprezam a vida humana.

Um dirigente esportivo que admite a possibilidade de contaminar milhões de espectadores presenciais e milhares de atletas que disputam esportes de contato e que, em outros, dividem ambientes nas instalações esportivas e na vila olímpica só merece o nome de assassino.

E assassino por dinheiro, não há outro nome a dar-lhes.

Mas resistiram até o fim, como aqui resistem em tomar as providências que permitam o isolamento de todo aquele que não for essencial para manter os sistemas de saúde e abastecimento funcionando.

Não há exagero nas medidas restritivas, há é uma tolerância abominável.

Ontem, na Baixada Fluminense, filas imensas se formaram porque gente que não foi dispensada do trabalho tinha e apresentar documentos para embarcar no trem para o Rio.

Não há mais tempo para ficar tergiversando com medidas que suspendam trabalho e garantam a renda da população que não tem a oportunidade do teletrabalho, que não se aplica aos mais humildes.

Isso não vai passar logo e as esperanças de que não seja uma hecatombe estão em mitigar a expansão do contágio.

Antes que tenhamos, como na Itália – que teve mais 743 mortes de ontem para hoje – que mandar os caminhões do exército recolherem corpos.

 

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