Obrigado, mano

Claro que dá tristeza e vergonha de ver isso acontecer em pleno século 21.

Outro garoto negro foi morto numa ação policial injustificável, em meio ao terror de uma pandemia: uma invasão bélica na Cidade de Deus, justo no momento em que se distribuíam cestas básicas àquele povo abandonado por todos..

Mas viralizou na internet a explosão de revolta de um dos jovens que participava da ação humanitária.

E, junto a ele, outro, que o continha.

Não por covardia, por lucidez.

“Nós é preto, mano. Então se acalma! Você acabou de distribuir 200 cestas básicas, eu não vou te perder”.

É desta matéria que se forja uma liderança: sem deixar de sentir, saber que é preciso saber como e onde travar a luta.

Obrigado, garoto, por me deixar sentir que tudo valeu a pena, todas as injustiças, as incompreensões, ver que todo o enfrentamento de uma vida inteira estão aí, vivos e fortes em você e em sua lucidez.

Seria tudo inútil se não houvesse garotos como você mostrou ser: um homem de pé, tão grande que não deixa a revolta virar loucura, mas ser mais vontade de lutar.

Era comum, nas suas falas, Brizola usar a expressão “meu irmão e minha irmã”.

Nos dias de hoje, acho que ele, em lugar disso, diria: “obrigado, mano”.

 

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