Obediência ou morte

Percebe-se uma imensa perplexidade nos meios conservadores diante das manifestações de ontem.

Sim, elas são irresponsáveis ao ponto de terem apoiado um aventureiro autoritário, protofascista, a chegar ao poder, tamanha é sua obsessão em destruir a esquerda, o que chamam de lulopetismo.

Mas não estava em suas contas perder, para ele, a hegemonia da política.

Contavam que a falta de base parlamentar e o lastro militar fariam-no pender para uma posiçao de relativo equilíbrio, impondo uma pauta “mercadista” dentro de um quadro estável de institucionalidade.

Não foi o que ocorreu e o que se viu nas ruas diz o contrário: é a histeria facista quem detém a hegemonia deste governo: a barca bolsonarista deixou na lama seca todos os que ainda achavam que podiam fazê-lo rumar nesta direção.

Estar nela, necessariamente, tomar o rumo do imprevisível, mesmo para os que sonham, lá adiante, em  desviá-lo para o que imaginam ser o seu destino de poder, como Sérgio Moro, expressando sua “gratidão” ao que seu olhar  deliberadamente vesgo viu como manifestações “sem pautas autoritárias”.

Os atos de ontem não foram um “toque de reunir” da direita. O rugir feroz do fanatismo, ao contrário, soa como o “debandar” que já ouviam muitos dos passageiros da nau dos insensatos do ex-capitão.

Bolsonaro tem o timão, tem o leme sob seu controle, embora não tenha outro rumo a apontar senão a agitação permanente, esta que há anos deixa o país mareado e incapaz de levantar-se.

Não o detiveram,  empurraram-no apara adiante, inflando as velas do ódio a quem ele deve seu impulso.

À ponta da espada, eles os coloca diante de jurar fidelidade ou, então, andar na prancha.

Não há “governismo crítico”. É obediência ou morte.

 

 

 

 

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