O “xerife do Rio” e a maldição dos pobres

xerife

Vejam vocês como é equilibrado o julgamento político na Câmara dos Deputados.

O Conselho de Ética da instituição acaba de mandar arquivar a investigação contra o deputado Rodrigo Bethlem, que foi gravado em áudio numa discussão com a ex-mulher em que admitia ter “rendimentos” de um convênio firmado quando era Secretário Municipal no Rio de Janeiro e ter ido à Suíça abrir uma conta.

Alegou que a ex-mulher “estava abalada”, juntou um desmentido dela e um atestado médico e… tudo certo.

Nos vídeos divulgados em que ela recebia pacotes com R$ 20 mil mandados por Bethlem, não parecia abalada mas, ainda assim, isso não explica as declarações que o próprio deputado licenciado fez.

O mais cruel, neste caso, é que o personagem fez carreira posando de “xerife do Rio”, como administrador regional de Cesar Maia na Prefeitura e, depois, como Secretário de “Ordem Urbana”.

Punha, a poder de cassetete, pobres camelôs para correr, tomava-lhes a mercadoria e, certamente, muitas vezes, o direito de darem comida aos filhos.

Nem conta bancária os infelizes tinham, quanto mais na Suíça.

Suas mulheres, com certeza, ficavam “abaladas” por não ter com que comprar um pão, um leite.

Bethlem teve grande apoio, era idolatrado pela mídia e chegou a ser louvado nas páginas do The New York Times com seu “choque de ordem”.

Como Bethlem não era petista, muito menos dilmista, e só fez mal, mesmo, aos pobres, não é escandaloso.

Livrou-se da Comissão de Ética (sic) da Câmara. Talvez se livre dos processos.

Mas não vai se livrar daquilo que Leonel Brizola chamava de “maldição dos pobres”.


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