O terrorismo oficial

A foto aí em cima está na primeira página de O Globo de hoje.

Não é, como parece, a de alguma guerra no Iraque ou de um grupo terrorista que tenha tomado alguma vila remota, noutra parte do Oriente.

É da ação do Bope do Rio de Janeiro na Mangueira, que continua hoje provocando pânico na Comunidade.

Agora imagine na sua calçada, no pátio do seu prédio, no corredor que leva ao seu apartamento.

Passando na frente de seus filhos, assustados. A caveira de bode como medalha no peito do policial dá o toque macabro para pesadelos que são “de verdade”.

É com isso, a toda hora, que convivem os 20 mil moradores da histórica e simbólica comunidade, que deu ao Brasil alguns de seus maiores poetas.

Esta semana é lá, como poucos dias atrás foi na Maré e anteontem na Grota do Surucucu, em Niterói, onde o garoto futebolista Dyogo Xavier Coutinho morreu no colo do avô…

Mas é “a guerra às drogas”…

Tem mais de trinta anos – mais que a Guerra do Vietnã – e nenhuma pessoa lúcida pode dizer que está sendo vencida.

Ao contrário, está sendo perdida a cada dia em que se confunde lei com terror, polícia com “comandos em ação”, repressão ao crime com opressão aos pobres.

Quer maior derrota que termos entregado o comando da máquina pública a energúmenos que fazem “arminha” como o presidente e o o governador brucutu que manda “mirar na cabecinha”?

Ou que possamos ver policiais marchando ao som de “arranca a cabeça e deixa pendurada”, no Pará, ou “Bate na cara e espanca até matar”, no Paraná?

Alguém acha que uma polícia estimulada assim vai tratar as pessoas com respeito e dignidade?

A coisa chegou a um ponto que, mesmo nos jornais populares, a brutalidade está criando limites.

Hoje, O Dia e Extra, jornais populares cariocas, dão capas que mostram que o medo da polícia está chegando a níveis recorde.

Pode ser, quem sabe, que a civilização esteja tentando voltar…

 

 

 

 

 

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