O resto do pó apareceu, afinal. E não cabe na mala

Há dois dias, este blog fez, solitariamente, a pergunta “onde está o resto?” sobre a mala exibida na foto que apresentava a carga de cocaína com a qual um sargento da tripulação de um dos aviões da comitiva presidencial tentara entrar em Sevilha, na Espanha, semana passada.

Por uma razão muito simples, que desde o início aqui foi levantada: 39 kg de cocaína não são volume pequeno, que possa ser ocultado com facilidade e burlar um mínimo de segurança que houvesse no carregamento de bagagem na aeronave.

Hoje, a Guarda Civil espanhola divulgou fotos da apreensão. E é só olhar a imagem acima, à direita, para ver que não era possível acomodar todos os pacotes na mala apreendida.

Não são roupas, que possam ser comprimidas, mas pacotes que já são prensados e, por isso, não vão diminuir de volume.

Não é “teoria da conspiração”, é apenas o perceber que uma história está mal ou apenas parcialmente contada.

A imprensa brasileira, tão atenta para outros escândalos, não se interessa em saber os detalhes deste caso?

Está satisfeita com a cândida história de que um sargento, um belo dia, recebeu a oferta de um desconhecido para carregar 39 quilos de cocaína num avião presidencial, pegou a mala, embarcou e desembarcou na cara de pau com um peso que é quase o de um saco de cimento?

O sargento lá está incomunicável? Tem um advogado? Tem colegas que serviam com ele? E os outros tripulantes? A Guarda Civil, a esta altura, já enviou o caso a um tribunal? O sargento tem advogado, disse o quê em seu depoimento?

Sevilha não é no interior da África. Fica a pouco mais de 1 hora de voo de Lisboa ou Madri e a duas horas e meia de Paris, com passagens que custam perto de 900 reais. Não tem um correspondente que vá até lá?

 

 

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