O que entrou hoje no petróleo saiu em uma semana da Bolsa

O governo festeja o primeiro dos três leilões de áreas petrolíferas, mesmo tendo sido arrematados 12 dos 36 blocos oferecidos, com a promessa de pagamento de R$ 8,9 bilhões de reais.

Como o bloco mais caro, o C-M-477, próximo ao campo de 2 Irmãos, no pré-sal da Bacia de Campos, respondeu por R$ 2 bi e foi o único arrematado pela Petrobras (70%) em consórcio com a britânica BP Energy (30%), dá aí por volta de R$ 7,5 bilhões de entrada de capital estrangeiro no Brasil.

Quase o mesmo de dinheiro gringo que saiu da Bovespa de 1° a 7 deste mês (cinco dias úteis): precisamente R$ 7.556.340.

Ah, sim, mas este dinheiro vai para os cofres da União. Claro, e de lá, direto, para o mercado financeiro.

A baixa procura pode ser atenuada pelo fato de que as sete áreas licitadas junto ao Arquipélago de Abrolhos, onde os riscos ambientais estão devidamente judicializados, foram evitadas pelas petroleiras. Mesmo assim, o arremate ficou em menos de 50% dos blocos em oferta.

Claro, só os da bacia de Campos e de Santos, onde o risco é pertíssimo de zero . As ofertas das bacias de Camamu-Almada, Jacuípe (ambas no litoral baiano) e Pernambuco-Paraíba não tiveram ofertas.

Mas é o dinheirinho para fechar as contas do ano do senhor Paulo Guedes, que hoje inovou em teoria econômica para dizer que um país quebrado está entrando “em um longo ciclo de crescimento”. Não se sabe com base em que vidente o Ministro falou isso, porque um país que tem um nível de investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo, em economês) menor que há cinco anos, que tem seu fluxo de comércio minguante e que só tem baixa inflação porque não há demanda está entrando em “ciclo de crescimento”.

Ei, Paulo Guedes, como dizia o Raul Seixas, assim Chicago não te aguenta.

Comentários no Facebook