O primeiro general sem pijamas

Que a demissão de Carlos Alberto dos Santos Cruz foi uma vitória da ala fundamentalista – olavetes e carluxos – é fora de dúvida.

Mas não é tudo.

É uma mudança de natureza na “ala militar” do governo bolsonaro.

O general Luiz Eduardo Ramos Pereira, nomeado para o seu lugar – e um lugar eminentemente civil, a secretaria de Governo da Presidência – é o primeiro general da ativa a ser guindado a posto ministerial.

Dos demais, sempre se pode dizer que, na reserva como estão, equiparam-se a civis. Ramos Pereira não será – salvo se tiver condições e desejo de passar à Reserva, ficando na condição de “agregado”, segundo o Estatuto dos Militares.

Era, até ontem, um general dom tropas, não com pijamas.

Apesar de articulado com o General Eduardo Villas Boas, é pessoalmente ligado ao ex-capitão, de quem foi colega de turma na Aman.

É cedo para dizer no que isso vai dar.

Do novo general-minitro sabe-se que é vaidoso e dado a rompantes.

Santos Cruz, disciplinado, retirou-se em obsequioso silêncio.

Mas deixou a apreensão em quem pode ter o mesmo destino se os “sobrinhos do capitão” criarem caso para ter todo o poder, a única forma pela qual compreendem ter poder.

 

 

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