O porteiro na boca dos lobos

A reportagem da Veja, embora apresente uma capa ilustrada com uma foto de “padrão estúdio”, diz que foi atrás, numa aventura quase às cegas, do porteiro do condomínio Vivendas da Barra que teria dito que foi o “Seu Jair” que atendeu o telefonema da portaria e permitiu a entrada de Élcio Queiroz que, dali, teria ido para a perseguição que culminou com a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

O porteiro Alberto Jorge Ferreira Mateus, revela a revista, mora numa casa modesta no paupérrimo bairro da Gardênia Azul e foi arredio ao contato com o repórter:

VEJA o localizou às 17 horas de segunda-feira 4, quando ele apareceu na porta de casa, um sobrado amplo e sem pintura, de shorts, chinelo e camiseta do Flamengo. Assim que a reportagem se identificou, o sorriso despreocupado com que o porteiro se aproximou sumiu. “Eu não estou podendo falar nada. Não posso falar nada”, disse, virando as costas e fechando a porta.

Ainda assim, a revista “crava” a versão de que o porteiro mentiu, embora não cite um fragmento de motivo para que ele o tivesse feito, tomando como veraz a perícia feita na cópia e um áudio, já que só ontem o equipamento foi apreendido pelos policiais do Instituto de Criminalística do Rio de Janeiro.

A revista faz o “jornalismo do jornalismo”, descrevendo em detalhes a dificuldade de obter uma foto do porteiro, a que reproduzo à direita.

Mas não explica como obteve a que usou para a capa, de nível profissional, com cuidados de iluminação.

O porteiro, ao contrário do ex-assessor Fabrício Queiroz, não está “sumido”. Está passando as férias onde porteiros passam as férias, porque o dinheiro não dá para mais: em casa.

A casa, aliás, é reproduzida no site e na revista, apenas com uma placa e o número borrados.

Num bairro dominado por milícias “muy amigas” vocês sabem de quem, é mais que fornecer endereço com CEP e tudo, pois não há qualquer medida protetiva dada ao “Seu” Alberto.

O porteiro está na boca dos lobos.

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