O “pessoalzinho” vira multidão

Quem receava que pudessem perder o fôlego as manifestações contra os cortes na Educação , depois do “tsunami” da última quarta-feira, pode se tranquilizar.

Jair Bolsonaro tem dado reiteradas mostra de que continuará a “convocar” para a rua não apenas as insatisfações expressas, mas também as latentes contra seu governo.

Chamá-los de “idotas”, como se viu, em poucas horas – da manhã de quarta-feira ao meio da tarde – elevou o rio de irritações de maneira impressionante. Agora, com dez dias de antecedência, para ele, são o ‘pessoalzinho que cortei verbas aí’, como declarou ontem à noite, no Palácio da Alvorada,  dizendo que “a molecada” nem sabia o que estava fazendo em meios aos protestos.

Quanto mais o presidente transforma o caso numa briga de porta de colégio, mais juntará gente.

Aliás, é o que faz insuflando “a sua galera” para os atos do próximo domingo, em relação aos quais delira achando que “as massas” mostrarão nas ruas o apoio a sua cruzada de vandalismo orçamentário às universidades.

Não vai produzir, é claro, senão um espetáculo de apelos bizarros ao autoritarismo, faixas pedindo a volta da Era Paleozóica e repulsa em quem ainda conserva algum pudor democrático.

O governo Bolsonaro segurá reunindo gente e motivos para lotar ruas.

O “pessoalzinho que cortei verbas aí”, progressivamente, será ampliado com aposentados, trabalhadores na iminência de perderem este direito, a gente acossada pelas dificuldades financeiras de uma crise que só se agrava. E que, com a destruição da política, subitamente encontrou um meio de se manifestar.

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