O MPF do B. B, de Bolsonaro e de barbárie

O Valor publica hoje matéria do repórter Cristian Klein mostrando como se alastrou no Ministério Público o bolsonarismo militante.

Direito deles, embora surpreenda que alguém possa ser fiscal da lei e das garantias individuais e, ao mesmo tempo, defender quem faz apologia da tortura, da ditadura e até do assassinato dos que merecem ser “levados para a ponta da praia”.

O problema é que, em lugar de objetarem por seu impedimento, quando tratam de casos que possam envolver o capitão do qual são adeptos, seguem dizendo que têm completa imparcialidade para conduzi-los, como aconteceu com a promotora do MP do Rio que se apressou em dizer que o porteiro do Vivendas da Barra mentiu quando disse que foi a voz do “Seu jair” que autorizou a entrada de um pistoleiro no condomínio e acontece com o promotor federal Douglas Ribeiro, encarregado do inquérito pedido por Sérgio Moro contra o malsinado porteiro.

O grupo, autointitulado “MP-Pro Sociedade”, prega abertamente o endurecimento não só das leis, mas também dos militares: “Se você é militar, juiz, MP, deve priorizar a sociedade, a vítima inocente. Não seja promofofo!!!”. Promofofo, esclarece-se, é o membro do Ministério Público que se preocupa com a garantia dos direitos humanos.

Reproduzo um trecho do extenso trabalho de Klein:

Entre os fundadores do movimento estão promotores e procuradores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) que não escondem a preferência política nas redes sociais, como Marcelo Rocha Monteiro, Flávia Ferrer e Eduardo Paes Fernandes. Monteiro é ex-marido de Carmen Eliza, que teve a imparcialidade questionada depois de serem reveladas postagens em que posou com uma camisa com o rosto do então candidato ao Planalto e a legenda: “Bolsonaro presidente”. Um dos porteiros do condomínio de Bolsonaro associou o presidente aos acusados de matar Marielle, mas as promotoras do caso, entre elas Carmen, desmentiram a versão.

Um dos integrantes mais atuantes da ala conservadora do MP, Monteiro não vê problema em ter, em suas próprias palavras, um “monte” de postagens políticas no Facebook. No ano passado, o procurador de Justiça publicou foto em ato de campanha em que vestia camisa de apoio a Bolsonaro e Wilson Witzel, eleito governador. À frente do boneco inflável Pixuleco, representando o ex-presidente Lula como presidiário, fazia o gesto de arma com as mãos popularizado pelo atual presidente da República. Monteiro diz que é “meio inevitável” que a corrente mais à direita do MP apoie Bolsonaro. “Para quem se identica com o conservadorismo a liderança é o Bolsonaro. A ala progressista não está identicada com o Psol e com o PT?”, rebate.

Uma única pergunta desmonta estes argumentos: e se promotores do caso Marielle estivessem com camisetas do “Lula Livre”, o que ele iria dizer?

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