O mercado exige vassalagem completa

Política de preços não é orgia de preços.

A culpa de Bolsonaro neste caso da suspensão do reajuste do diesel pela Petrobras é, essencialmente, a de ter um governo que pensa que seu dever é atender ao “mercado”, não à população.

Para eles é “Deus-Mercado” acima de tudo e é a este “deus”, apenas neste, que seu governo encarrega de gerir a economia do País.

Nenhum dirigente responsável da Petrobras pode deixar de perceber o impacto que um aumento cavalar – 5,7%, numa quinzena – no diesel representa para o processo econômico, com  inflação em alta, e para o político, em meio a reiteradas ameaças de paralisação dos caminhoneiros.

É assunto que tem de ser discutido no Ministério das Minas e Energia, no da Economia e, neste grau de impacto, com o Presidente da República. Até porque, ao menos até agora, o “dono” da empresa é o Brasil e o governo seu gerente.

Foi por não acontecer isso (ou ter acontecido até o nível ministerial, não o presidencial) que teve de ocorrer a cena  constrangedora do anuncia-e-desanuncia o aumento.

E por isso, aí sim, Jair Bolsonaro é monstruosamente responsável, com as suas repetidas declarações de que as questões econômicas eram lá com o “Posto Ipiranga” de Paulo Guedes.

Agora, das duas, uma: ou vai ter gente de alto coturno pedindo o boné ou vai se ensaiar um balé hipócrita, com Bolsonaro, para não perder seus avalistas de mercado, aceitando uma pantomima de parcelar em dois ou três aumentos a “cacetada” que se daria de uma vez só.

Aos que gostam de fazer apostas, convém lembrar o que tem sido a prática: entre o equilíbrio e o “ficar com os seus”, o “Mito” tem preferido a segunda hipótese.

Não há nenhuma sutileza nas carretas bolsonaristas…

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