O humor tóxico de Torero com o agrotóxico

O jornalista e escritor José Roberto Torero, com seu ótimo “Diário do Bolso“, onde parodia – com inteligência exponencialmente maior – o que seriam anotaçoes de Jair Bolsonaro, deu forma tragicômica ao fato de que, desde a posse, o Brasil já liberou mais agrotóxicos que em todo o ano passado: 96 licenças. Ao que se saiba, ao menos, nenhum aplicável às mangas que a ministra Teresa Cristina sugeriu aos brasileiros usarem como brioches.

Diário, hoje o assunto é sério. Vou falar de “tóxico”.

A esquerda-fumeta não pede para liberar a maconha? Pois eu liberei um monte de tóxico. Mais de 150!

Só que é agro-tóxico, kkkk!

A Tereza Cristina, ministra da Agricultura, deu mais de uma licença por dia desde que começou o governo. Os ruralistas até pegaram aquela música do Ritchie e fizeram uma nova letra para ela. Ficou assim:

Ministra veneno você tem um jeito sereno de ser/ 
E todo dia no almoço vem me entorpecer/ 
Me entorpecer, me entorpecer, iê iê iê iê.

É o maior sucesso nos churrascos da UDR!

Este ano, quem mais registrou produtos Nivel I, “extremamente tóxicos”, foi a Syngenta. Ela vai lançar o cyprodinil, que serve para soja, algodão, girassol, laranja, morango, pêssego, uva, feijão, alface e tomate. Quer dizer, todo dia você vai comer esse tal de cyprodinil. Tomara que seja gostoso, kkkkkk!

Tem também a Albaugh, que fez um novo produto a partir do 2,4-D, um dos ingredientes do “agente laranja”, aquela arma química da Guerra do Vietnã. Dizem que é perigoso, mas eu não tenho nenhum problema com laranja. Falando nisso, que saudade do Queiroz…

A Nortox recebeu a liberação para o Piriproxifem. O produto foi proibido no Rio Grande do Sul, em 2016, só porque um estudo argentino disse que ele tinha relação com a microcefalia em bebês. Mas, se argentino é contra, eu sou a favor, kkkkk!

A AllierBrasil recebeu a licença para vender o Captain 500 WP. Em 2015, o Ministério Público pediu a “imediata proibição” dos produtos como o Captain, só porque uns ratos ficaram com câncer. Mas, pô, como é que uma coisa chamada “capitão” pode ser ruim?

Olha, Diário, o agrotóxico aqui no Brasil é tão forte que está até na água. Quem mora em São Paulo, por exemplo, está ferrado. Como tem muita plantação de cana-de-açúcar por lá, todo mundo no estado bebe “diuron”. Isso vai dar câncer pra caramba daqui a uns anos. É bom o Dória privatizar logo a saúde, senão o vai gastar um dinheirão com o diuron.

Em Santa Catarina as torneiras também são perigosas. Sete substâncias encontradas na água de lá estão proibidas na Europa. Tem até 2,4-D. Os trecos já foram banidos de um monte de países, mas aqui está liberado. O brasileiro é mais resistente, kkkkk!

Só para comparar, em 2016, na era Dilmozoica, foram liberados 20 novos agrotóxicos. Fizemos sete vezes mais em três meses!

Enfim, Diário, agora os viciados nem precisam mais fumar, cheirar e se picar. É só comer uma alfacinha ou beber um copo de água que já vão ficar intoxicados. Kkkkkk!

 

 

 

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