O gueto

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, comparou ontem o terror vivido pela população das favelas do Rio de Janeiro com o dos ingleses durante os meses de bombardeio nazista a Londres.

Já que o sr. Witzel quer comparações com a 2ª Guerra Mundial, ofereço uma, aí na imagem.

É impróprio perceber semelhanças entre o Gueto de Varsóvia, em abril de 1943, antes de sua completa aniquilação?

Ou será que serem uns judeus e outros serem negros e mulatos faz-lhes alguma diferença como seres humanos?

Faz, infelizmente, embora pela mesma razão que fez os judeus serem párias por séculos, desde a deportações forçadas do Império Romano, ao gueto hebraico do Papa Paulo IV, na Roma do Século 16, até as monstruosidade do Reich.

E a razão é não considerar que os seres humanos são iguais em direitos.

A menina Ághata é uma das 16 crianças mortas neste 2019 em ações policiais, informa o aplicativo Fogo Cruzado, que contabiliza os tiroteios no Rio e suas vítimas. Todas em favelas ou na periferia.

Matar 16 crianças nos bairros ricos seria tolerado?

Será que agora entendem o que sofremos, no Governo Brizola, por não permitir que a polícia entrasse atirando nas comunidades? Sabem agora o quanto custou politicamente ao velho gaúcho dizer e tentar fazer com que a lei e a polícia agissem com a porta de um barraco como com a porta de um apartamento da Zona Sul?

A segregação é parte indispensável do ódio politico, porque ela cria o conceito do “inimigo”. Daí à ideia da eliminação é um pequeno passo.

O que chamam de “segurança”, assim, é o caminho do desastre.

O senhor Witzel, já que se interessa por História e foi um juiz, deveria saber o que aconteceu em Varsóvia e o que se passou com Jürgen Stroop, o SS-Gruppenführer que destruiu o gueto.

Foi o relatório dos seus “feitos”, vaidosamente enviado para Heinrich Himmler, comandante da SS, que serviu para condená-lo em Nuremberg.

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