O fogo não destrói a História

A dor de ver o incêndio da Catedral de Notre Dâme, traz à mente a magnífica passagem do livro de Victor Hugo que leva seu nome, que quase todos conhecem como a história do Corcunda de Notre Dâme.

Embora, por isso, muitos dela se recordem pelo Quasímodo e a graciosa Esmeralda, a história trata da arquitetura e da monumentalidade como expressão das ideias humanas, o que faz, a certa altura, um dos personagens colocar a mão sobre um livro, apontar à Catedral e dizer “ceci tuera cela”, “Isto matará aquilo”, no sentido de que as ideias impressas, pelo seu alcance, substituiriam o monumento como forma de fazer sentir e pensar às massas.

Porém, ainda que triste e doloroso, o incêndio de Notre Dâme, como o incêndio dos livros tentou fazer em ditaduras, não consumirá as ideias que buscam o céu como buscava a agulha da catedral.

Nem reduzirá a cinzas a história que fica gravada na memória humana, como estamos vendo fazer aqui os adoradores de ditaduras.

Estamos vivendo, em nosso país, entre as chamas da intolerância, com gente que, como o fogo, pensa em incinerar a evolução do pensamento humano e o sentido de igualdade que, malgrado o que fazem, no qual caminha a história humana.

Este sentimento que nos faz dar valor ao sonho humano, ainda quando o desprezam como uma tolice anacrônica.

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