O “ecoterrorista” providencial

Tem doido pra tudo, diz o dito popular. E, é claro, quando se liberam as amarras da violência, com o discurso do “mete o dedo, manda bala, metralha etc” certamente tem louco perigoso.

Mas a capa da Veja com o tal “ecoterrorista” é evidentemente uma “forçação de barra” destas que só serve para açular as matilhas de Jair Bolsonaro, agora que a história da conspiração por trás do louco Adélio Bispo dos Santos foi reduzida, sem possibilidade de recurso, ao desequilíbrio mental do sujeito.

Tem toda a cara de ser uma política de “dar uma no cravo e outra na ferradura”, porque nada tem de inédito.

A revista quase “se entrega” no seu editorial:

Quando se define “notícia”, a matéria-prima do jornalismo, como uma informação nova dotada de relevância pública, a chance de haver qualquer questionamento sobre a primeira parte da conceituação — “uma informação nova” — costuma ser pequena. O mesmo, porém, não se pode dizer da segunda. Afinal, o que deve ser considerado “de relevância pública”.

Bom, informação nova não é. A revista já havia publicado reportagem sobre o tal grupo em maio.

Mas é pior: em dezembro passado, o site Metrópoles havia publicado longa reportagem de Carlos Carone e Mirelle Pinheiro sobre o que seriam os atentados provocados pela tal ” Sociedade Secreta Silvestre”, braço de uma coisa esdrúxula denominada “Individualistas Tendendo ao Selvagem”.

Contendo, inclusive, uma entrevista com seu representante, que se denomina “Pedro”, como agora se autonomeia de Anhangá, nome de uma publicação na internet do suposto grupo e seu “líder” desde, pelo menos, janeiro de 2017, quando assina a tradução de um texto intitulado “Não Somos Estudantes, Somos Criminosos”.

Nesta entrevista, a ameaça de um atentado na cerimônia de posse, assunto principal da matéria da Veja, já era antecipada, numa inédita “avant première” de terrorista anunciando dia, hora e local onde fará um atentado:

“Nosso alvo não é apenas Jair Bolsonaro. Por mais que tenhamos um ódio particular a este estúpido devido às suas posições em relação ao meio ambiente, nosso objetivo é muito maior que ele. Deixamos subentendido que podemos atacar durante a posse, mas essa é uma informação sensível que não podemos detalhar. O que podemos dizer é: nós temos sim a capacidade de fazer um atentado no dia 1º de janeiro e causar grandes danos e mortes”

A única novidade que a revista traz é que a Polícia Federal e a Abin do general Augusto Heleno, diante de pessoas que publicam há mais de dois anos ameaças terrorista e que, há pelo menos sete meses assumem ter o presidente da República como alvo, não conseguiu tomar as providências que devia e esclarecer o quando isto é real e perigoso.

O “hacker da Vaza Jato”, quem sabe, seja sua prioridade.

Ou, quem sabe, isso prepare uma ação “competente”, apenas poucas horas depois de surgida a “novidade” que, afinal, era velha.

Comentários no Facebook