O corneteiro de Hamelin

Não é, como na fábula recolhida pelos Irmãos Grimm, e que todos conhecem, um flautista, porque seu toque nada tem de harmônico e melodioso.

Mas, igual, é alguém que conseguiu levar tolos e crianças a segui-lo, na esperança de livrar a Vila de Hamelin dos ratos.

E, agora, não são todos os que percebem, escancara-se o destino: a morte e a desgraça para a pobre e tola cidade.

Já há meses, Jair Bolsonaro só nos arrasta neste caminho.

Malgrado a resistência de boa parte dos quadros do Ministério da Saúde, o próprio ministro está enfiado na fila macabra que acompanha o líder.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, à exceção daquela monstruosidade da qual teve de recuar com o “erro de redação” não foi, passados tantos dias, capaz de oferecer algo seguro e aceitável para pequenas e micro empresas ou aos trabalhadores, que ficarão sem receita, empregos e renda que, fracos antes, morrem agora e morrerão aos montes em abril.

Estamos em guerra e na guerra é que se conhecem os maus militares. Os que não sabem como lutar, não sabem como recuar e tornar fortes a defesa, a logística, otimizando recursos, que dividem a tropa, que desarmonizam comandos, que não hesitam em sacrificar seus comandados com sua cegueira obcecada.

As semelhanças do nosso corneteiro com certo cabo da Baviera param aí, exceto pelas valentias de botequim e pela cegueira histérica que a ambos é comum.

A Folha, hoje, gentilmente, convida-o a “retirar-se” e deixar nas mãos de outra maldita “força-tarefa que reúna as equipes técnicas da Saúde e da área econômica e dialogue com Congresso e governadores”.

É inútil, depois de ser tolo.

Tolo, porque equipes técnicas não têm autoridade e legitimidade política para assumir comando algum, embora sejam indispensáveis.

Inútil, porque o inepto e genocida – com fartos sinais disso que não impediram mídia, capital e militares de pavimentarem seu caminho ao poder – já deixou claro que é um psicopata descontrolado, que segue tocando sua corneta da morte para o que resta de inebriados a segui-lo.

Não é preciso que eles se afastem, apenas.

Tem-se-lhe de tirar a corneta.

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