O churrasquinho de gente de Jair Bolsonaro

Há mil pessoas esperando um leito de UTI aqui no Rio de Janeiro.

Cidades do Nordeste entram em lockdown, apavoradas com a escalada de mortes.

A rede de saúde vai desmoronando, pela falta de equipamentos e de pessoal, que já era pouco e ainda sofrendo milhares de baixas de profissionais contaminados pelo novo coronavírus.

O país já detém o segundo maior número diária de mortes e as infecções devem passar, amanhã, de mais de 150 mil pessoas. Oficialmente, claro, porque 11 entre 10 estudiosos de epidemiologia sabem que ela é várias e várias vezes superior.

Mas o presidente da República anuncia que vai promover um “churrasco” de confraternização no final de semana, com direito até a uma “pelada” de futebol. E reconhece, com razão, que é “um criminoso”.

Sim, Jair Bolsonaro, desta vez você tem razão, é um criminoso frio e insensível, que se acumplicia a um genocídio para obter mais poder.

Já disse, há uma semana, que temos um exército vermelho de militares com fardas pintalgadas de sangue; agora, temos o empresariado com a imagem de açougueiro, prestando-se a, com o presidente, pressionar a Justiça a suspender o isolamento social.

E não adianta se desculparem dizendo que não era essa a pauta. Tal como os generais, são adultos e poderiam se recusar à cena intolerável. E é mentira, porque na própria reunião de chantagem, fizeram questão de dizer que estão preocupados com o governo, daqui a dois meses, parar de pagar-lhe os empregados.

Não é só, portanto, o presidente a figura que se revela desprezível nesta crise. E olhem que é duro competir com tamanha desumanidade.

Estamos vendo o espetáculo de cinismo de Sergio Moro, que joga cavilosamente com a tal reunião filmada do Palácio, recheada, como já se sabe, de palavrões, xingamentos e destemperos bolsonarianos, Seria bom mesmo que assistíssemos, nem tanto por ele, que já sabemos quem é, mas para ver como a corja governista aceita e suporta um chefe que se porta não como um presidente da República, mas como um dono de bordel, claro que sem a suavidade dos poemas de Aldir Blanc.

Como seria bom que, gostando como gosta de disseminar pelas redes sociais, em vídeos e coices, as suas atividades, transmitisse o seu “churrasquinho de corona”, enquanto milhares ardem de febre, sufocados, sem que lhe mereçam atenção e respeito.

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