O centro ofereceu-se a Bolsonaro. Mas ele vai ficar só com a direita…

Na reta final das eleições, ficou claro que o ódio ao PT e a ilusão de que Jair Bolsonaro, por não ter quadros ou apoio político para governar, teria de dar ao centro político espaços político-administrativos fizeram os outros núcleos de direita e as forças do centro do espectro político aderirem, ainda que com certa vergonha (inclusive fingindo-se neutras), à candidatura do ex-capitão.

Além do mais, acreditavam que “as instituições” lhe poriam freios, o educariam e fariam-no seguir as regras, com algum mínimo equilíbrio.

Daí os “isentões” e os que se prestaram a “sabujadas”.

Dois meses e meio de governo já desfizeram completamente este autoengano, até pela repugnância que o comportamento pessoal do presidente carrega.

Mas ficou claro que não apenas o presidente não imporá limites aos núcleos mais radicais do bolsonarismo – é só ver a desenvoltura de gente como Olavo de Carvalho e o “Pitfilho” – como não vai se privar, ele próprio, das “engrossadas” que o fazem tão admirado entre as mentes primárias e odientas.

De tudo se acuse Jair Bolsonaro, mas não de inautêntico.

É o que sempre foi: um tosco, um autoritário, um promíscuo em relação às manchas de criminalidade da polícia, um incapaz para articular, reunir e liderar qualquer coisa que não seja um bando de fanáticos.

A turma da bufunfa do mercado financeiro, que não está nem aí para o médio prazo não liga, enquanto estiver dando dinheiro.

Na política, ao contrário, não dá para comprar e vender no day-trade.

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