Não deixe a grama crescer: Bolsonaro terá candidatos ‘bíblicos’ no Rio e São Paulo

Enxergue mistérios quem quiser, mas parece clara a estratégia de Bolsonaro para enfrentar as eleições municipais do ano que vem: o objetivo essencial é que nem João Doria, em São Paulo, nem Wilson Witzel, no Rio, emplaquem seus candidatos.

O primeiro, por ter pretensões presidenciais; o segundo, mesmo as tendo, para não comprometer Milicialand, o território do “chefe”.

Sabe que isso não virá, necessariamente, do lançamento de uma candidatura do PSL.

Mas da aposta nos evangélicos como massa de manobra eleitoral.

Alguém acha que Witzel foi gratuito ao dizer, sem ser provocado, que o prefeito Marcelo Crivella fez uma lambança no caso da censura na Bienal do Livro?

Ou que Doria cria “datas evangélicas” a três por quatro – “Dia da Oração”, “Dia da Escola Bíblica”, “Dia da Assembleia de Deus”, “Dia da Igreja Sara Nossa Terra” – por inspiração divina?

Bolsonaro sabe onde está seu ponto forte e ele não está na classe-média moralista, mas entre os evangélicos, seu ponto forte, onde a reprovação a seu governo – segundo a última pesquisa Datafolha – tem metade dos índices registrados entre a população em geral, consideradas apenas os fiéis de confissões neopentecostais.

Não é só o futuro ministro do Supremo Tribunal Federal que terá de ser “terrivelmente evangélico”, também os candidatos nas eleições paulistanas e cariocas será assim, preferencialmente.

Não para ganhar, mas para que Dória e Witzel percam.

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