Não adianta ignorar Bolsonaro, ele está no poder pela mídia

Folha, Globo e Band decidiram não enviar mais repórteres para o circo matinal de Jair Bolsonaro na porta do Alvorada, com a plateia cativa do grupo de fanáticos que se reveza no curralete montado para o show.

Tardia decisão, não apenas pela segurança dos profissionais que lá vão, mas pela repercussão que se dá ao espetáculo fascista que lá se encena diariamente.

É, porém, uma atitude inócua.

Está longe de ser uma atitude decente da mídia.

O que ela se recusa, agora, a cobrir, é o que ela produziu.

Bolsonaro, um nada antes, é filho da mídia e de Sergio Moro, pai e mãe que hoje renega.

Durante a campanha de 2018, foi frequente, até entre gente que se diz de esquerda, exigir uma autocrítica do PT pelos desmandos e corrupções que aconteceram sob seu governo.

Nem sequer se exige isso de instituições que apoiaram o golpe de 2016 e nem mesmo o golpe eleitoral de 2018.

O que se exige é uma autocrítica prática.

É reconhecer que entramos, muito antes da eleição de Bolsonaro, em um estado de anormalidade, onde as representações políticas da sociedade foram criminalizadas.

Destruiu-se a política e, no lugar dela, como sempre ocorre na História, pôs-se em seu lugar o fundamentalismo e a loucura.

Eles ascendem sempre ao poder em nome da moralidade e da ordem e se tornam a mais abjeta imoralidade e a desordem autoritária.

Restaure-se a política, a disputa legítima, e restauraremos a democracia.

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