Na Veja, Bolsonaro só não fala do que devia: governar

Na longa entrevista exclusiva que concedeu à Veja, o presidente da República de um país em crise, cuja economia e os indicadores sociais afundam mês a mês, tudo o que se fala de problemas e soluções para o país são as poucas linhas que transcrevo:

O Brasil será ingovernável daqui a um, dois, três anos. Se a reforma da Previdência não passar, o dólar pode disparar, a inflação vai bater à nossa porta novamente e, do caos, vão florescer a demagogia, o populismo, quem sabe o PT, como está acontecendo na Argentina, com a volta de Cristina Kirchner. O Brasil não aguentaria outro ciclo assim.

Nada mais. O resto é politicagem, exibição egocêntrica, chavões, defesas e ataques políticos.

Repito: o homem que foi eleito para governar o Brasil, cinco meses depois da posse, não tem nada a falar nem da situação do país nem do que pretende fazer para colocar o país de volta a uma situação de prosperidade, salvo a menção terrorista – que se repete o dia inteiro – de que  o país vai para o caos se não tirar direitos de aposentação das pessoas.

O resto é conversa mole.

No fim das contas, este é o problema do Brasil. É dirigido por alguém que não governa, não tem capacidade ou vontade de fazê-lo.

Ou governar não é segurar o leme, aproar o barco em determinada direção, olhar para algum horizonte? Um presidente não é apenas um gerente e, ainda que fosse, este atual seria um desastre.

Ainda lerei com mais vagar e comentarei o que diz sobre os casos Queiroz e Adélio, que consomem a maior parte da entrevista.

Mas é assombroso que, com mais de três anos e meio pela frente tenhamos no Planalto alguém que não é capaz de ter uma ideia e, portanto, um comando para o país. Alguem que só é capaz de apontar uma coisa: o dedo.

 

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