Muito pouco para um “deus”

A interminável pesquisa Datafolha – está “rendendo”, a conta-gotas, há um mês – só pode surpreender pelo inverso do que diz a sua chamada: Brasileiro confia mais em Moro do que em Lula e Bolsonaro.

Porque os índices de Sergio Moro, há cinco, quase seis anos, glorificado como santo no altar, mostram que o ex-juiz, sem estar exposto senão nos últimos meses, à política, já conseguiu alcançar um índice de rejeição (42%) que, embora mais baixo, habita o mesmo patamar que os demais possíveis candidatos.

Inclusive, e sobretudo, os do homem que ele perseguiu, condenou e encarcerou durante quase dois anos, Lula.

O grau de aprovação de Moro não resolve seu problema eleitoral justamente por isso: não tem gordura para queimar num eventual embate com Bolsonaro que, como se sabe – e sabem bem os deputados do PSL – tem um exército de fanáticos que incinera qualquer dissidência.

Está, por isso, destinado a ser “cozido” entro da panela do chefe, porque não tem gás para ir para a solidão, sem o poder persecutório que tinha antes de agarrar o Ministério da Justiça com a vã esperança de ser todo-poderoso. Pode até ter mais prestígio popular que Bolsonaro, mas se lhe retirar-se este “naco”, não teria vida própria, ao contrário do “Mito”.

Deste, o que se pode falar que não seja o fato de que, em um ano, não apenas perdeu a confiança da maioria que o acompanhou no voto como só a conserva robusta em pouco mais de um quinto (22%) da população? E que a confiança parcial de outro tanto, com as dificuldades em frente, rápido pode escorregar para a rejeição.

Luciano Huck, a esta altura decaído para a condição de “novidade velha” tem desconfiança de mais e apoio de menos, sobretudo porque, apenas com a simpatia que tem do povão – onde Lula segue absoluto – não vai a lugar nenhum.

Lula continua a ser o “perigo” a ser vencido pela direita e qualquer outra articulação pretensamente de direita vai se desmanchar como espuma do mar no rochedo.

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