MP de Bolsonaro torna terra indígena subordinada ao agronegócio

Todo covarde começa sempre com os mais fracos.

Na Medida Provisória que reorganiza os ministérios, informa Rubens Valente, na Folha, Jair Bolsonaro tira da Funai  e entrega ao Ministério da Agricultura – leia-se, ao agronegócio – a ” a identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas no país”.

Na prática, as demarcações passam agora às mãos dos ruralistas, adversários dos interesses dos indígenas em diversos Estados. O Ministério da Agricultura é comandado pela líder ruralista Teresa Cristina, deputada federal pelo Mato Grosso do Sul.
A retirada das demarcações do âmbito da Funai aprofunda o esvaziamento do órgão, criado em 1967 em substituição ao SPI (Serviço de Proteção ao Índio), fundado em 1910.
A equipe de transição de Bolsonaro já havia anunciado que a Funai seria transferida do Ministério da Justiça e passada ao Ministério de Direitos Humanos, comandada pela pastora evangélica Damares Alves. Agora, perde a capacidade das demarcações, submetida a outro ministério.

A partir de agora, terra indígena será onde não for possível por um boi a pastar ou um pé de soja a brotar.

Eu ia dizer que para eles só sobrariam as pedreiras, mas esqueci dos interesses da mineração.

Seria mais prático que demarcassem logo a extensão das terras destinadas aos índios: sete palmos, medidos para baixo.

Estes generais que dão suporte a Jair Bolsonaro não são dignos da sola das botinas do Marechal Cândido Rondon.

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8 respostas

  1. Não há apenas covardia, embora ela esteja também presente. Mas a “preferência” dada aos indígenas traduz algo que conheço muitíssimo bem. Sempre que conversava sobre o coiso e sua campanha, citava como muito estranha a falta de ênfase em dois dos mais profundos preconceitos fardados do Brasil: índios e vizinhos de língua espanhola. Quem conhece os gendarmes nacionais sabem que isto é algo atávico e constantemente alimentado nas casernas, a desumanização dos indígenas (“aquilo lá é gente, rapaz?”) e desprezo pelos nossos vizinhos (“todos morrem de inveja do Brasil e têm raiva de brasileiros”). Agora o milico está sendo milico. E que não nos surpreendamos se tiver lugar uma campanha chapa-branca de difamação dos latinos em geral, ou até alguma agressão diplomática. Afinal, nos usuários de coturnos estas pulsões habitam esferas mais profundas da psique. Exagero meu? Pergunte aos militares que conhece o quanto ouviram sobre Rondon dentro da caserna ou qual era a posição das Forças Armadas na Guerra das Malvinas…

  2. A música “Um Índio” de Caetano Veloso soa como profecia:

    «Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
    De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
    E pousará no coração do hemisfério sul
    Na América, num claro instante

    Depois de exterminada a última nação indígena
    E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
    Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

    Virá
    Impávido que nem Muhammad Ali
    Virá que eu vi
    Apaixonadamente como Peri
    Virá que eu vi
    Tranqüilo e infálivel como Bruce Lee
    Virá que eu vi
    O axé do afoxé Filhos de Gandhi
    Virá

    Um índio preservado em pleno corpo físico
    Em todo sólido, todo gás e todo líquido
    Em átomos, palavras, alma, cor
    Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
    Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
    Do objeto-sim resplandecente descerá o índio
    E as coisas que eu sei que ele dirá, fará
    Não sei dizer assim de um modo explícito

    Virá
    Impávido que nem Muhammad Ali
    Virá que eu vi
    Apaixonadamente como Peri
    Virá que eu vi
    Tranqüilo e infálivel como Bruce Lee
    Virá que eu vi
    O axé do afoxé Filhos de Gandhi
    Virá

    E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
    Surpreenderá a todos não por ser exótico
    Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
    Quando terá sido o ÓBVIO»

  3. Da série “bananeira não dá jaca”: ele disse que “não haveria um centímetro de terra para índio ou quilombola”, não disse?
    Então, meu povo, não há com o que se “espantar”. O espanto paralisa, e tudo o que não podemos agora é paralisar.
    Deixo esta bela resposta de um líder indígena. Temos muito a aprender com eles:https://leitor.expresso.pt/diario/quinta-1303/html/caderno1/temas-principais/03_entrevista-indio-brasileiro–christiana-

  4. A última frase dessa nota deveria ser cravada, a ferro quente, na testa de cada uma desses generais e coronéis vira-latas e entreguistas que hoje comandam as FFAA.

  5. A última frase dessa nota deveria ser cravada, a ferro quente, na testa de cada uma desses generais e coronéis vira-latas e entreguistas que hoje comandam as FFAA.

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