Moro monta rápido a sua Gestapo

Enquanto em outras áreas de governo segue a “bateção de cabeças” na montagem do novo governo, Sérgio Moro vai montando sua máquina de repressão colocando seus homens da “Polícia Federal-Lava Jato” no controle de todas as estruturas de segurança do país, inclusive as estaduais.

Ontem, nomeou o delegado Rosalvo Ferreira Franco para chefiar uma inédita Secretaria de Operações Policiais Integradas, o que entrega a ele (e a Moro, evidente) o virtual comando de toda a ação de polícia judiciária no Brasil.

Até agora, as operações que envolviam as polícias civis de cada Estado eram organizadas por cada uma das superintendências regionais da PF, que passam agora a ter um duplo comando: o dos superintendentes, esvaziados, e o de Rosalvo, bancado pelo próprio Ministro. Não é difícil saber qual das autoridades prevalecerá, qual disporá dos meios humanos e materiais e, ao contrário, quem terá de murchar as orelhas e ficar com a “sobra”.

Em outra nomeação anunciada, colocará outro policial federal paranaense, Fabiano Bordignon, no comando do Departamento Penitenciário Federal que, além de controlar os presídios federais de segurança máxima (que tentação de dar este destino a Lula, hein? Ah, se não fosse a reação internacional…), gere os recursos do Fundo Penitenciário Nacional, praticamente a única fonte de recursos para presídios também nos Estados. E quem manda no dinheiro, manda em tudo.

Moro chega, assim, à condição de ser o único ministro que poderá – tal como Paulo Guedes – alcançar as manchetes já no início de janeiro, pois só um tolo duvidaria que, a esta altura, as primeiras e espalhafatosas ações – quem sabe uma “Operação Reis Magos”? – estão sendo montadas. Guedes poderá aprontar decretos, medidas de impacto alterando alíquotas de impostos, mas quem vai colocar gente no camburão, para as câmaras de  TV é o ex-juiz de Curitiba?

Mas ele não precisa de ordem judicial para isso? Da forma em que anda o Judiciário brasileiro, nem precisa telefonar ao juiz, manda um auxiliar fazer. Ou, como diz o “03”, Eduardo Bolsonaro, manda um cabo e um soldado de farda da PF e sai do fórum com quantos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão quiser.

Desde os tempos do DOPS, na ditadura, ninguém acumulava tanto poder sobre a estrutura policial brasileira.

E, certamente, nunca tanta disposição de usá-la segundo a sua própria vontade.

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