Minions sem coxinhas

Durante a campanha, Jair Bolsonaro conseguiu completar seu objetivo de transformar “coxinha” em “minion”.

Não foi, convenhamos, transmutação das mais difíceis, dadas as semelhanças entre as duas substâncias.

Teria sido impossível, porém, sem alguns catalisadores.

Primeiro, a reunião que a mídia proporcionou, permitindo a gente sem identidade identificar-se com um grupo igualmente vazio. Corrupção e “moralidade” funcionaram como amálgama. Segundo, o ojetivo comum – e abençoado pelo sistema – de derrubar um governo e, consequentemente, estabelecer outro que não permitisse a volta das forças derrotadas pelo golpe.

Reinaldo Azevedo, em sua coluna na Folha, diz que as manifestações de domingo terão uma única virtude: a de permitir saber quantos soldados tem Bolsonaro. Tem razão, mas acrescento outra: será uma oportunidade de vê-los em estado quase puro, sem boa parte dos confeitos de classe média que, a partir de certo ponto, os cobriu da massa de “coxinhas”.

Isso é o que, possivelmente, se revelará agora, e é visível pela quantidade de dissensões que surgiram nas forças de direita, onde muitos personagens buscam se afastar do núcleo fanático e tresloucadamente sectário do bolsonarismo.

Porque este tem uma natureza, além de repulsiva, repelente: afasta, intriga, conflita, xinga, desqualifica. De forma bem simples, chama até Kim Kataguiri de esquerdista. Afigurou-se de tal forma tosco e grosseiro que a high society quer suas política, mas não a sua companhia.

É absolutamente irrelevante que o presidente procure descaracterizar como seus os arroubos golpistas da turma. O que estará na rua, tenha o tamanho que tiver, será Jair Bolsonaro.

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