Marcha indígena faz Equador “mudar de capital”

Está se agravando a situação política no Equador.

Ao lado dos chefes das Forças Armadas, o presidente Lenín Moreno anunciou que transferiu a capital para a cidade de Guayaquil, no litoral, presionado pela chegada de dezenas de milhares de indígenas que marcharam sobre Quito.

Em rede de televisão, acusou Rafael Correa – de quem foi vice-presidente e recebeu apoio eleitoral – de estar tentando um golpe de estado, com apoio venezuelano.

Mas não recuou, como exigem os manifestantes, das medidas de arrocho tomadas em acordo com o FMI, que implicaram num aumento de 120% nos combustíveis e, consequentemente, nas tarifas de transporte.

Já são mais de 500 pessoas presas no país, inclusive jornalistas e vários políticos.

Não é provável que Moreno vá ter tranquilidade na cidade costeira – onde a população indígena e mestiça é menor – que está também tomada por conflitos.

Mesmo sem ordem das autoridades locais, os ônibus sofreram um aumento de 33% nas passagens, que passaram de US$ 0,30 para US$ 0,40. A economia equatoriana é dolarizada e o presidente, em sua fala de ontem, garantiu que “a dolarização está protegida”

O exército suspendeu a comemoração militar da “independência de Guayaquil”, marcada para amanhã para lembrar o levante (há quase 200 anos, 1820) que libertou a cidade dos espanhóis, comandado pelo general Antonio Sucre, lugar-tenente de Simon Bolívar.

Como na Argentina, também lá a volta das políticas neoliberais causou o caos.

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