Maia e a pressa de se mostrar poderoso

Sigo divergindo das análises que apontam o fortalecimento de Rodrigo Maia após o processo – inconcluso ainda e problemático cada vez mais – da reforma previdenciária.

Alguns, como Eliane Cantanhêde, chegam ao delírio de dizer que ele “segue o caminho de Ulysses Guimarães“.

Os sinais de que Jair Bolsonaro vai se sentindo forte para exercer o poder com menos amarras se multiplicam.

A história do ministro do STF “terrivelmente evangélico” anteontem e, ontem, a esdrúxula indicação do filho Eduardo para embaixador em Washington – lançada como “balão de ensaio” e em seguida confirmada na “live” presidencial, mostra que o ex-capitão perdeu qualquer recato e pensa em poder obter o que quiser do parlamento.

Com a aprovação da reforma previdenciária com a tática do rolo compressor, usada na fase final da comissão especial, o que saiu foi um projeto que tem tantas resistências que virou uma confusão a votação das emendas, ao ponto que acabaram caindo pontos importantes para o governo em termos de arrocho nos trabalhadores – como o tempo mínimo de contribuição para aposentadoria por idade.

Claro que sobrevivem crueldades como as feitas com as pensionistas e o arrocho nos valores dos proventos, seja pelo cálculo pela média de todas as contribuições, seja pelo absurdo de exigirem-se 40 anos de contribuição para alcançar, como disse outro dia um deputado, a “merreca integral”. Mas isso estava fora das contas da equipe de Guedes e tem impacto mais rápido no montante, pois “sai” o adiamento automático da aposentadoria de milhões de trabalhadores nestas condições.

Por conta dos atropelos, estão agora diante do risco real de não se concluir a aprovação em segundo turno antes do recesso. Aliás, alguns deputados acham que isso só não é assumido para evitar um esvaziamento do quórum na votação das emendas.

Ou, para evitá-lo, ter de fazer mais concessões que não estavam nos planos.

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