Lula sabe que sua chance é sua causa, nada mais

Muitas pessoas – ao menos entre as ainda dotadas de sentimentos humanos – “torce” para que Lula “aceite” uma prisão domiciliar que, aliás, nem sequer está entre as decisões que se poderia prever como seguras na sessão de hoje da 2ª Turma do STF.

Entre estas muitas pessoas, não está Luís Inácio Lula da Silva e só estará, e talvez, se houver um quadro de deterioração de seu estado físico, de vez que o mental segue firme e coerente.

Não está, em primeiro lugar, porque isso exigirá que ele ceda parte do patrimônio de altivez e inconformismo que consegue conservar depois de anos de perseguição e longos meses de prisão semi-solitária em Curitiba.

Não o aceitou quando a prisão domiciliar poderia significar capacidade de melhor articulação durante a campanha eleitoral, quando fazer política – sua maior razão de viver – era ainda uma recompensa e uma justificativa.

Agora, pesam mais as razões que aprendi na expressão gaúcha tantas vezes ouvida de Brizola: o sentimento de honra e de dignidade.

Quanto às chances de acolhimento do pedido de declaração de parcialidade de Sérgio Moro, são nulas. Será um milagre se houver um voto que reconheça o óbvio, de algum ministro que aventure à desgraça em dizer que está nu o rei das ricas roupas.

O jogo, que tem cartas marcadas desde que começou, nada tem de honesto.

E ninguém mais que Lula sabe que é lá fora, no escândalo internacional que se tornou o Brasil, que estão as suas poucas e melhores chances.

Pela história que fez e pela causa que encarna.


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