Levar os filhos para a ‘experiência caveira’ e criar uma geração fascista

tropadeleote

Três ou quatro décadas de doutrinação midiática por “polícia, mais polícia”.

Glamourização das tropas – de elite – na “guerra ao tráfico”.

Direitos – e respeito – humanos levado ao pior nível dos criminosos: a bala.

Não podia dar em outra coisa senão no que revela a reportagem de Carina Bacelar, em O Globo de hoje, sobre a “colônia de férias” onde, empresariados por oficiais da PM, casais com e sem filhos são levados a vivenciar a “experiência caveira”, com tiros de balas de tinta e gritos de guerra, num resort de Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, a mil reais por cabeça.

Um homem e uma mulher, na entrada do hotel Búzios Beach Resort, usam macacão, boné, coturno e têm o rosto pintado de preto. O macacão da jovem, também preto, tem generoso decote. Na frente deles, uma dupla de palhaços dá boas-vindas. Os bufões são totalmente ignorados por duas crianças, que chegam com os pais. Animadas, elas querem ficar ao lado do casal que faz cara de mau. Um homem, de camisa polo branca, aparece para fotografar e dirigir a cena:

— Range os dentes! — diz e emite um grunhido para não deixar dúvidas sobre o que espera dos “atores”.

Diante de outra leva de pequenos, ordena:

— Pulso cerrado!

O homem da polo branca é o porta-voz da PM do Rio, major Ivan Blaz. Poucas horas após dar entrevistas sobre um caminhão roubado à TV Globo, ele estava em Búzios, na sexta-feira, batendo fotos e recepcionando quem chegava ao Skull Experience (Experiência Caveira), uma espécie de “colônia de férias” de três dias cujo tema é o Batalhão de Operações Especiais (Bope), do qual fizeram parte Blaz e outro organizador do evento, Luciano Pedro.

A propaganda da violência virou um grande negócio, e não é só para Jair Bolsonaro.

O pesadelo fascista está impunemente instalado no meio de nós.

Tentamos, bos anos 80 e 90, afastar a polícia deste tipo de selvageria e tivemos, como paga, a cumplicidade da mídia que espalhava a versão de que “Brizola não deixava a polícia trabalhar”.

Não, assim não, não a deixava trabalhar assim, mesmo.

No Governo Brizola, os oficiais que promovem esta pataquada estariam presos, respondendo a inquérito administrativo, bem como estariam afastados os policiais que fizeram sorridente “selfies” com o traficante Rogério “157”, semana passada.

Mas agora, virou mesmo bagunça: há mais de um mês o Ministro da Justiça disse que os comandantes dos batalhões da PM eram “sócios do crime organizado” e está tudo por isso mesmo.

Mesmo o jornal que publica a matéria, na capa, trata como algo fútil, como se fossem “os caveiras de mentirinha”.

Não são. São pessoas que se brutalizam e que, amanhã, com as armas “de verdade” que energúmenos como Jair Bolsonaro querem liberar, estarão prontas a fazer sua “experiência caveira”, a pólvora e chumbo.

O fascismo está sendo inoculado em nossa classe média e não é “de mentirinha”.

 


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