Leitão vs. Noblat. Enquanto eles brigam, a tirania passa

A divisão provocada pelo comportamento grotesco de Joaquim Barbosa na mídia foi além do imaginável.

Opôs a Margareth Tatcher do jornalismo econômico, Miriam Leitão, ao seu “colega e amigo” Ricardo Noblat.

Leitão largou os índices e os agouros econômicos para escrever uma longa e laudatória coluna de desagravo a JB, totalmente despropositada.

Exceto no fato de que Miriam critica,até com certa razão,  um resvalo racista de Noblat.

Diz Miriam:

“Já discordei várias vezes do presidente do STF, mas mais profundamente me divorcio das frases de Noblat: “há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para reagir à discriminação”.

Há outro trecho do artigo de Noblat que Miriam não destaca e que é ainda pior:

FALTA A JOAQUIM “grande conhecimento de assuntos de Direito”, atesta a opinião quase unânime de juristas de primeira linha que preferem não se identificar . Mas ele é negro. Havia poucos negros que atendessem às exigências requeridas para vestir a toga de maior prestígio. E entre eles, disparado, Joaquim era o que tinha o melhor currículo. Não entrou no STF enganado. E não se incomodou por ter entrado como entrou.

QUANDO LULA bateu o martelo em torno do nome dele , falou meio de brincadeira, meio a sério: ” Não vá sair por aí dizendo que deve sua promoção aos seus vastos conhecimentos . Você deve à sua cor”. Joaquim não se sentiu ofendido. Orgulha-se de sua cor. E sentia- se apto a cumprir a nova função. Não faz um tipo ao se destacar por sua independência . É um ministro independente . Ninguém ousa cabalar-lhe o voto .

Ora, Joaquim Barbosa não está sendo criticado por ser negro, nem por ser um “racista ao inverso” ou por lhe faltarem conhecimentos jurídicos.

Está sendo criticado por, além de ter ido além da grosseria, estar impedindo um julgamento isento e equilibrado no Supremo Tribunal Federal.

Não há nenhum problema em Noblat ter se desiludido de que Barbosa possa ser ” a grande esperança branca” ( Jesse Willard, o boxeur americano que tirou o título de Jack Johnson, um negro) da direita para vencer as eleições. E que Miriam o considere ainda uma peça do arsenal conservador.

A questão não é político-eleitoral ou racial, nem de cabedal jurídico.

É da própria Democracia, do Estado de Direito e das garantias constitucionais.

Não é Joaquim Barbosa quem está sendo julgado, mas os réus, que são cidadãos com direitos legais que devem ser assegurados, não atropelados ditatorialmente.

E, pior, por razões políticas, eleitorais e, apenas para admitir, por recalques raciais.

Só a Joaquim Barbosa interessa ser o foco das atenções e da polêmica.

E só a ele interessa fazer-se de vítima.

Até porque o seu comportamento é o do algoz e seus argumentos, coices.